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Costa quer maioria e explicou-se sobre o Bloco Central

António Costa esta tarde, à saída do encontro com Cavaco Silva

José Sena Goulão/Lusa

Para o líder socialista, o melhor para o país é uma maioria do PS nas legislativas de 2015 - e o próximo Governo não deve resultar de um "jogo partidário", diz

O líder socialista insistiu esta quarta-feira que o melhor para o país é uma maioria do PS nas legislativas de 2015, considerando que o próximo Governo deve ser "uma escolha direta dos portugueses" e não resultar de um "jogo partidário".

"O país, na situação em que está, não pode arrastar-se meses na incerteza de qual é a forma de Governo que vai ter. Os portugueses não devem desperdiçar a oportunidade de serem eles a escolher o Governo que vão ter e não deixarem isso ao jogo partidário. Deve ser uma escolha direta dos portugueses e é desejável que assim seja. Por isso, o nosso objetivo é que haja uma maioria", afirmou o secretário-geral socialista, António Costa, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com o Presidente da República, no Palácio de Belém.

Aludindo à sua intervenção na terça-feira, num jantar com o grupo parlamentar do PS, António Costa disse que se terá expressado mal ou sido "mal compreendido" sobre a fórmula política do Governo do Bloco Central, reiterando que apenas elogiou o exemplo de Mário Soares "e não propriamente essa fórmula de Governo em concreto".

"O que eu quis sublinhar é que o bem mais precioso que o país tem perdido ao longo destes anos é a confiança e que não há nenhum país que seja capaz de vencer uma crise, de superar as suas dificuldades sem recuperar a confiança e dei o exemplo do doutor Mário Soares e da forma como liderou esse Governo", disse.

No jantar do PS, António Costa lembrou a liderança de Mário Soares no Governo do Bloco Central PS/PSD, entre 1983 e 1985, e caracterizou esse executivo como fundamental para repor a esperança dos portugueses, num momento em que Portugal se encontrava sob intervenção do Fundo Monetário Internacional.

"Percebemos que muitas das medidas muito duras que foram tomadas não teriam sido possíveis certamente sem um grande ministro das Finanças [Ernâni Lopes], mas, sobretudo, tudo seria impossível sem a capacidade política de mobilização de uma liderança que Mário Soares assegurou, que permitiu vencer aquela crise e a integração na União Europeia", declarou durante o jantar.

Hoje, depois do encontro com o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, que se prolongou por mais de uma hora, o secretário-geral do PS esclareceu que quis enfatizar é que quanto à fórmula de Governo "é necessário e útil ao país" uma maioria absoluta socialista.

"O elogio ao doutor Mário Soares não significa o elogio àquela forma de Governo", acrescentou, considerando não fazer sentido passar o tempo a discutir hipóteses que apenas dependem da escolha eleitoral.

António Costa assegurou ainda que não será uma maioria que retirará ao PS "o esforço do PS de um diálogo político alargado e de uma concertação social alargada".

"Tanto precisamos de maioria como de compromissos e uma maioria não impede os compromissos", disse.