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Costa foi à Madeira. "Temos de travar o falhanço da política de Passos"

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António Costa cumprimenta José Manuel Coelho, líder regional do PTP

Duarte São/Lusa

António Costa foi apoiar a campanha da coligação 'Mudança' para as regionais de 29 de março, mas prometeu defender os interesses da Madeira mesmo que o presidente do Governo não seja do PS.

Marta Caires, correspondente no Funchal

A mobilização dos socialistas para as legislativas nacionais começa na Madeira e António Costa, que esteve na abertura de campanha, acredita que a mudança no País se iniciará nas regionais de 29 de Março, que será o primeiro travão ao "falhanço da política de Passos Coelho". O PS-Madeira integra a coligação 'Mudança', onde estão também o PTP, o PAN e o MPT. A única sondagem conhecida, publicada este domingo, coloca a 'Mudança' em segundo lugar, a mais de 20 pontos do PSD.

Apesar do ambiente morno do início da campanha eleitoral, de haver pouca gente na rua e pouca gente acompanhar a visita do secretário-geral, António Costa falou da mobilização a pensar já nas legislativas nacionais e aproveitou o facto de Passos Coelho não ir à Madeira apoiar o PSD para dizer que está na hora da mudança. "Creio que Passos Coelho não faz parte da mudança. Ainda ontem fez uma declaração em que revela não ter compreendido que como o caminho para a consolidação das finanças públicas não é o caminho da pobreza, da emigração, do desemprego".

O líder do PS tem outra ideia de finanças públicas sãs e entende que o caminho é o de uma economia forte. "É por isso que temos que mudar, é por isso que a erradicação da pobreza infantil e juvenil tem que ser uma prioridade, é por isso que as políticas de emprego centradas no emprego dos jovens licenciados tem de ser prioritário. É prioritário revitalizar sectores capazes de absorver muita mão de obra como a restauração com a redução do IVA ou a construção através de um grande programa de reabilitação urbana são prioridades. O primeiro ministro revela que não aprendeu com o falhanço da sua política e não é capaz de responder à necessidade de mudança. Temos de travar este falhanço".

O falhanço inclui a Madeira onde desde 2012 se vive sob um Programa de Ajustamento Económico e Financeiro e que António Costa considera ser possível atenuar as condições do resgate regional. O PS já apresentou na Assembleia da República uma proposta para aplicar as mesmas taxas de juro que a República paga e que, neste momento, são melhores das que estão acertadas no programa. A Madeira, insistiu nas declarações que fez esta tarde, em Câmara de Lobos, é um activo do País, um activo muito importante. "Não estamos em fase de nos afastarmos, em fase de criar dificuldades uns aos outros".

Ao lado do presidente do PS-Madeira, que é também o cabeça de lista da coligação 'Mudança', Costa prometeu defender os interesses regionais mesmo que o futuro presidente do Governo Regional não seja do PS, mas de outro partido. As relações institucionais se podem confundir com as questões partidárias. Como socialista está com os socialistas da Madeira, como primeiro ministro o importante são as boas relações institucionais. "Foi assim que fizemos no passado, assim faremos futuro".

Estava tudo no Marítimo-Sporting  

As perspectivas no arranque da campanha não são as mais animadoras para a coligação. Uma sondagem publicada este domingo pelo "Diário de Notícias da Madeira" coloca o PSD a um deputado da maioria absoluta e a coligação a eleger apenas 12 deputados dos 47 do Parlamento regional. Victor Freitas já desvalorizou o facto e lembrou que todas as sondagens nas autárquicas de 2013 davam a vitória ao PSD, o que acabou por não acontecer. Os sociais-democratas perderam sete das 11 câmaras da Madeira.

O ambiente, na rua, mesmo com a visita do secretário geral, também não foi efusivo. A comitiva era curta, pouco entusiasmada, poucas bandeiras, sem palavras de ordem. O domingo de sol e de jogo grande nos Barreiros não ajudaram. À mesma hora que António Costa andava pela baixa da Ribeira Brava, Câmara de Lobos e Funchal a distribuir apertos de mão e a falar com quem encontrava, o Marítimo jogava com o Sporting. Ainda assim, no meio destes contactos, sempre encontrou um homem que lhe disse que sim, que era para mudar. "Vamos mudar isto e mandar o Sócrates para rua!"