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Política

Costa e Seara em concórdia

No primeiro combate a dois em Lisboa, presidente da Câmara e candidato acabaram o debate como começaram: de braço dado.

Já a discussão levava uns bons 20 minutos, quando António Costa disse: "Eu tenho aqui uma divergência com o Dr. Fernando Seara...".

Fez bem Costa em sinalizar o desencontro, pois até àquele momento não se notavam as diferenças entre o socialista que preside à Câmara de Lisboa e o social-democrata que lidera a coligação de direita.

António Costa e Fernando Seara estiveram hoje à tarde num debate organizado pela Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. No dia marcado para iniciar o resgate do navio 'Costa Concordia', a concórdia esteve sempre à tona no calmo, e bem disposto, confronto entre Costa e Seara.

Com o salão nobre do Instituto Superior Técnico a abarrotar, os temas em debate foram os que mais interessam a uma plateia de estudantes: os jovens e o mercado de trabalho, as sinergias entre a autarquia e as universidades, a mobilidade e os transportes públicos, a habitação e a lei das rendas, entre outros assuntos.

Costa e Seara convergiram, efetivamente, em tudo. E se aqui e acolá houve diferenças de interpretação ou ênfases distintas, logo elas eram atenuadas ou ultrapassadas na intervenção subsequente. Em muitos momentos foi mesmo uma amena cavaqueira, com tiradas cortantes de dois políticos muito experientes. Sound bites bem à medida das televisões (ausentes por sinal!).

Na intervenção final que coube a cada candidato, Fernando Seara ilustrou bem o clima de sintonia. Falando de si e do adversário político, disse-o com todas as letras, ao referir-se a "pessoas que nas questões essenciais pensam da mesma maneira". E prosseguiu o candidato do PSD: "A nossa divergência é no dia a dia, nas pequenas coisas".

António Costa responderia mais tarde, em declarações aos jornalistas: "O meu programa não é o da grande obra; tem sido o de fazer as pequenas obras que mudam a vida das pessoas".

Logo ao abrir o debate, o presidente socialista ainda lançou uma alfinetada, contra "a CNE [Comissão Nacional de Eleições] e as televisões que criaram uma espécie de lei da rolha".

O toque foi mesmo só para fora da sala. Ao longo de hora e meia de debate faltou faísca e foi tudo muito aveludado.