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Política

Considerações de um primeiro-ministro: o que separa Portugal de França é a austeridade e os cortes na função pública

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Manuel Valls e Cavaco Silva durante a audiência no Palácio de Belém

Alberto Frias

Manuel Valls esteve reunido esta sexta-feira de manhã com a comunidade empresarial portuguesa e com Cavaco Silva. Reconheceu melhorias em Portugal, elogiou o esforço dos portugueses, mas sublinhou diferenças de opções.

O primeiro-ministro (PM) francês, Manuel Valls, afirmou esta sexta-feira de manhã, em Lisboa, que "os olhares de fora" percebem que o crescimento regressou a Portugal, mas lembrou que França não seguiu uma política de austeridade nem reduziu os salários dos funcionários públicos.



"Os olhares de fora percebem que o crescimento regressou a Portugal", disse Valls num encontro com a comunidade empresarial portuguesa, com o tema "Agir em conjunto para o crescimento europeu", que decorreu no Centro Cultural de Belém.



Numa intervenção de quase 30 minutos, o PM francês abordou vários temas, respondeu a perguntas e sublinhou que "o crescimento regressou a Portugal" e que "as perspetivas para 2015 são incentivadoras", apontando para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 1,5%.



"O desemprego baixou, as exportações aumentaram, as finanças públicas melhoraram, Portugal beneficia da confiança dos investidores, resultados que advêm das reformas e são claramente fruto dos sacrifícios dos portugueses", afirmou.



Consciente de que é preciso "vigilância, vontade e firmeza", Manuel Valls afirmou contudo que França não levou a cabo uma política de austeridade, como a portuguesa, e não reduziu os salários dos funcionários públicos. "Disse em Bruxelas e digo aqui em Lisboa: não aceitarei nenhuma medida orçamental que venha quebrar o crescimento", afirmou, acrescentando ainda que "o que é facto é que as medidas de austeridade aplicadas em Portugal nada têm que ver com o que se passa em França, o que pode afastar as populações".



Depois deste encontro, Manuel Valls foi recebido em audiência no Palácio de Belém pelo Presidente da República, Cavaco Silva.