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Cinco a seis mil europeus juntaram-se voluntariamente à Jihad

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FOTO REUTERS

Comissária Europeia da Justiça, Vera Jourova, que avança com o número, apela à criação de um procurador europeu. Para a comissária checa, é fundamental perceber as razões da radicalização nos diferentes países da União Europeia. 

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Entre cinco a seis mil europeus partiram voluntariamente para a Síria para se juntar aos jiadistas, revela a comissária europeia da Justiça, a checa Vera Jourova, que considera que mesmo assim estes números estão "muito subavaliados". 

Numa entrevista ao jornal francês "Le Figaro", a comissária diz que este ano a Comissão Europeia destinou uma verba de 2,5 milhões de euros, para fins de formação do pessoal penitenciário dos procuradores europeus: "Temos de apostar mais na prevenção do que na repressão", porque esta chega "tarde de mais". 

A comissária é a favor de uma melhor cooperação entre as instituições policiais e judiciais, quer dizer, a Europol e a Eurojust. "Esta cooperação deve tornar-se sistemática e automática", diz a comissária, que defende "a criação de equipas de investigação comuns para que procuradores e polícias de vários países da União possam trabalhar em conjunto". 

 

A comissária é a favor de uma melhor cooperação entre as instituições policiais e judiciais, quer dizer, a Europol e a Eurojust

A comissária é a favor de uma melhor cooperação entre as instituições policiais e judiciais, quer dizer, a Europol e a Eurojust

JOHN THYS/AFP/Getty Images

Para Jourova, é fundamental perceber as razões da radicalização nos diferentes países europeus.  A comissária cita o exemplo do reino Unido, onde de 22 casos objeto de investigação, apenas um se referia à religião. 

"A maior parte liga-se à procura de aventura, o aborrecimento, a insatisfação face à situação social ou a ausência de perspetivas", disse a comissária da Justiça, que por isso insiste na troca de informações entre os organismos especializados dos países europeus. 

Vera Jourova é também favorável a criação de procurador europeu. "Num primeiro momento, o Ministério Público europeu seria especializado em matéria de fraude financeira apenas no orçamento da UE", diz, acrescentando que "a termo, se poderia pensar que poderia estender as suas prerrogativas aos crimes organizados transfronteiriços, como por exemplo o tráfico de seres humanos". 

Destes jiadistas, 1450 são oriundos de França. Portugal conta com 15 a 20.