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Cenário macro do PS não fala de TSU

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António Costa foi muito crítico quando Passos Coelho considerou a possibilidade de mexer na TSU

FOTO José Carlos Carvalho

Grupo de economistas que elaborou para o PS o cenário macroeconómico que será apresentado ao país ao meio-dia teve "uma discussão alargada" sobre a baixa dos custos de trabalho, incluindo a Taxa Social Única. Mas acabou por não a refletir na versão final.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A questão da baixa dos custos de trabalho foi discutida no grupo de economistas encarregue por António Costa de elaborar o cenário macroeconómico sobre o qual assentará o programa eleitoral do PS para as próximas legislativas. Mas, ao que apurou o Expresso, a constatação de que qualquer proposta que tocasse na Taxa Social Única "seria, politicamente, um suicídio" acabou por a fazer retirar da versão final que será apresentada ao país daqui a pouco. 

Coincidência ou não (os jornais referem uma fuga de informação que terá chegado aos ouvidos do Governo, mas o PS desmente), foi Passos Coelho quem recolocou a Taxa Social Única na agenda do dia quando, há pouco mais de uma semana, admtiu que ela pudesse vir a baixar para as empresas - sem, contudo, a aumentar para os trabalhadores, ao contrário do que propunha em 2012.

A sugestão do primeiro-ministro foi prontamente criticada por António Costa: "Será justo voltar a reduzir as contribuições da Taxa Social Única [às empresas] antes de se reporem os antigos escalões do IRS que introduziram uma enorme distorção e que aumentaram a regressividade do IRS e constituíram um brutal aumento da carga fiscal sobre a classe média?", perguntou o líder socialista num encontro com militantes em Bragança.

Baixa de custos de trabalho disfarçada

Na mesma ocasião, Costa denunciou: "Hoje, a realidade em Portugal é que não está na pobreza só de quem vive de pensões de miséria, de quem está desempregado, incapacitado de trabalhar. Nós chegámos ao ponto - com o ataque tão duro que foi feito ao mundo do trabalho e à dignidade do trabalho - que 10% daqueles que têm emprego estão abaixo do limiar de pobreza".

Uma preocupação que justifica que o cenário macro socialista, a confirmar-se a notícia avançada esta manhã pelo "Diário de Notícias", proponha a criação de uma espécie de "complemento de salário" para os trabalhadores que recebam até 411 euros mensais. A medida, que custaria 350 milhões de euros ao Orçamento do Estado, autosustentar-se-ia ao provocar aumento do rendimento disponível, logo, aumento do consumo, logo, mais receitas fiscais.

Mas a ideia promete, desde já, controvérsia: se serviria também para estimular a criação de emprego, economistas contactados pelo Expresso admitem que acabaria por ser "uma forma indireta de subsidiar os custos de trabalho" e  ajudar à perpetuação de "contratozinhos, em tempo e salário".