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Cavaco traça perfil do seu sucessor. Quem fica de fora?

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Em reta final do seu mandato, Cavaco reivindica a participação na condução do país durante o programa de assistência, bem como o alerta lançado para os efeitos negativos do memorando de entendimento

João Coelho/Lusa

Cavaco Silva lançou esta segunda-feira no site oficial de Belém o balanço do último ano de mandato, em mais um volume dos seus "Roteiros", e avança que o futuro Presidente deverá ter experiência de política externa. Um perfil à medida de Durão, Vitorino e Guterres e que parece deixar de fora Rio e Marcelo.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

No dia da publicação do nono volume dos seus "Roteiros", o Presidente da República escreve no prefácio que o seu futuro sucessor deverá ter duas características imprescindíveis: alguma experiência no domínio da política externa e formação e capacidade e disponibilidade para analisar os dossiês relevantes para o país.

A primeira prerrogativa defendida por Cavaco Silva parece deixar de fora Rui Rio, ex-autarca do Porto, como candidato perfeito à corrida presidencial, político com fama de rigoroso no cumprimento de metas financeiras mas sem mundo além fronteiras em matéria de política e diplomática. Além de Rio, Marcelo Rebelo de Sousa será outro dos possíveis candidatos que não encaixam no perfil ideal.

Os requisitos defendidos pelo Presidente da República no prefácio da obra "Roteiros IX", onde resume o seu penúltimo ano de mandato, assentam como uma luva a António Vitorino, Durão Barroso ou António Guterres, embora o ex-presidente da Comissão Europeia e o alto-comissário da ONU já tenham anunciado não estar disponíveis para concorrer ao cargo.

No mais recente volume de "Roteiros", Aníbal Cavaco Silva aponta a sua própria experiência no panorama da "diplomacia presidencial", através do périplo das viagens que fez como chefe de Estado desde maio de 2014 e das visitas oficiais que acolheu. Cavaco destaca a visita a Portugal do seu homólogo alemão Joachim Gauck, pela importância que teve o encontro para a afirmação da imagem positiva" do país na Alemanha.

Em reta final do seu mandato, o Presidente reivindica também a participação na condução do país durante o programa de assistência, bem como o alerta lançado  para os efeitos negativos do memorando de entendimento.

No prefácio intitulado "Diplomacia Presidencial", o chefe do Estado explica ainda como moveu nos bastidores no período de crise, tendo sido necessário mobilizar toda a carga diplomárica, inclusivé a sua, para suscitar a confiança dos parceiros e investidores de forma conseguir apoios para as posições portuguesas. "Fi-lo em dezenas de encontros", escreve.