Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Cavaco Silva aponta os desafios para o futuro e apela à contenção

  • 333

FOTO TIAGO MIRANDA

No seu último discurso do 25 de Abril, o Presidente da República elenca as prioridades da próxima legislatura.

Luísa Meireles

Um legado para a próxima legislatura, é este o sentido geral do último discurso do 25 de Abril do Presidente da República. "Pensar o futuro", foi o mote da sua longa intervenção, na qual apelou à reflexão sobre os desafios que se apresentam ao país, mas onde não faltaram os apelos à contenção no debate público no ano eleitoral.

"Pensar o futuro de Portugal significa, antes de mais, proceder ao diagnóstico dos nossos problemas de fundo e apontar linhas de rumo que devem ser assumidas pelas diversas forças políticas", disse Cavaco Silva, depois de considerar que o controlo da despesa pública e do endividamento do Estado, o financiamento das empresas, a competividade da economia, uma agenda de crescimento e a criação de emprego continuam a ser questões decisivas.

Mas há outras e o Presidente da República enumerou-as ao longo do seu discurso: uma estratégia de aumento de natalidade, a promoção do regresso dos que partiram devido à crise, a criação de emprego, a luta contra a corrupção, a reforma do sistema de Justiça (para o qual pediu um consenso interpartidário) e da Administração Pública e a manutenção do Estado Social.

Estado Social, a grande realização da democracia

"Os Portugueses reconhecem no Estado Social o modelo que lhes trouxe importantes benefícios em domínios como a Saúde e a Educação, a Segurança Social e a Cultura", afirmou, para sublinhar que o "Estado Social é uma das maiores realizações da nossa democracia, uma área em que o debate e o consenso sobre o seu futuro se impõem".

"Não se trata de diminuir a proteção social dos cidadãos que dela necessitam, mas sim de garantir a sustentabilidade do sistema", reafirmou ainda, considerando que a qualidade da democracia depende da qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos.

Segundo Cavaco, os grandes desafios que devem mobilizar a próxima legislatura são, precisamente, "a excelência na educação, o desenvolvimento de competências ao longo da vida e a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde".

O futuro deste - destacou - "não pode ser encarado apenas na sua dimensão financeira", porque é acima de tudo "um imperativo de justiça e de salvaguarda da dignidade humana".

Os recados para a campanha

Mas as próximas campanhas mereceram ainda a atenção do Presidente, que reservou os seus apelos para a parte final do seu discurso, considerando que o debate público em Portugal tem mostrados níveis de crispação e agressividade verbal que frequentemente resvalam para os ataques e os insultos de carater pessoal.

Os valores da democracia "correm o risco de serem obscurecidos e relegados para um plano secundário se se mantiver a tendência para recorrer às querelas estéreis, à calúnia e à difamação como instrumentos de combate político", destacou Cavaco Silva, para quem este tipo de intervenção extravasa o campo da divergência de opiniões.

"A violência verbal, amplificada pelo ruído mediático, afasta os cidadãos da vida da República, fomenta o desinteresse cívico, corrompe a confiança dos Portugueses nas suas instituições", disse, apelando expressando aos deputados desta e da próxima legislatura para que contribuam para "a elevação do debate público e a qualidade da democracia".

Porque, segundo o Presidente, "só através do diálogo e do consenso, será possível alcançar os compromissos imprescindíveis para garantir a estabilidade política e a governabilidade do País" e enfrentar os desafios do futuro.