Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Cavaco recusa revelar teor das reuniões com Salgado

EPA

"Matérias das audiências com o Presidente da República "são reservadas", invoca Cavaco Silva, questionado no México sobre as declarações desta segunda-feira de Ricardo Salgado aos deputados. Todavia, contesta que as suas declarações na Coreia do Sul tenham influenciado a compra de ações do BES.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, escusou-se hoje a relevar que informações obteve nas suas reuniões com o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, afirmando que as matérias tratadas em todas as suas audiências são reservadas.

"Como tenho dito várias vezes, as matérias tratadas nas audiências com o Presidente da República são reservadas e nunca revelei aquilo que se passa nas reuniões, quer com políticos, quer com sindicalistas, quer com cientistas, quer com empresários. Fazem parte da informação que compete ao Presidente recolher sobre a situação do país", declarou Cavaco Silva aos jornalistas, no México.

O chefe de Estado português fez esta afirmação numa conferência de imprensa no final da XXIV Cimeira Ibero-Americana, na cidade mexicana de Veracruz, a propósito das declarações feitas hoje por Ricardo Salgado na comissão de inquérito, no parlamento, em Lisboa, sobre a gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo.

Cavaco Silva contestou que tenha influenciado, com afirmações proferidas na Coreia do Sul, em junho passado, a compra de ações do BES, referindo que falou um mês depois do aumento de capital do banco.

"Surpreende-me muito aquilo que alguns meios de comunicação portugueses têm dito em relação àquilo que eu afirmei, com base nas informações que tinha na altura, na Coreia do Sul, porque essas declarações tiveram lugar mais de um mês depois de ter ocorrido o aumento de capital por parte do BES, isto é, mais de um mês depois de os cidadãos terem subscrito, comprado ações do BES", declarou.

Depois de questionado sobre as informações com base nas quais falou, na altura, da situação do BES, o chefe de Estado português respondeu: "Alguns dos senhores jornalistas escreveram que eu tinha influenciado as decisões dessas pessoas, que tinham ocorrido há muito mais de um mês".