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Cavaco em Paris. "Nenhum Governo pode escapar às reformas permanentes"

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A "conferência de imprensa" de Curria e de Cavaco teve direito a apenas duas perguntas, mas chegou para ambos transmitirem a ideia que desejavam: otimismo sobre Portugal e a necessidade do país prosseguir com as reformas estruturais, a sustentabilidade da dívida e das finanças públicas, bem como a competitividade da economia

Mário Cruz/Lusa

Presidente da República visitou a OCDE. Em declarações aos jornalistas, ele e Angel Curria, secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, sublinharam repetidas vezes a mesma ideia. "As reformas estruturais são uma agenda permanente, qualquer que seja o Governo de Portugal", disse Cavaco.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

"As reformas são um modo de vida". Foi o mexicano Angel Curria, secretário-geral da OCDE, que lançou a fórmula e a repetiu várias vezes, esta manhã, em Paris, no encontro com o Presidente da República português. E Cavaco Silva assumiu-a, igualmente. "Nenhum Governo pode escapar às reformas permanentes, são com efeito um modo de vida", insistiu durante o seu discurso na sede da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico. "Mesmo as eleições não podem interferir na necessidade de prosseguir as reformas", acrescentou Curria.



A "conferência de imprensa" de Curria e de Cavaco teve direito a apenas duas perguntas, mas chegou para ambos transmitirem a ideia que desejavam: otimismo sobre Portugal e a necessidade do país prosseguir com as reformas estruturais, a sustentabilidade da dívida e das finanças públicas, bem como a competitividade da economia.



No decorrer da visita à sede da organização, onde participou num seminário económico com peritos da OCDE, o Presidente da República apoiou claramente, com destacado otimismo, a ação do Governo de Passos Coelho. Apontou designadamente para um crescimento, em 2015, de 2% da economia, uma estimativa superior às previsões do Governo e da OCDE, que são, respetivamente, de 1,5% e 1,3%.



Curria concordou com os argumentos avançados pelo chefe do Estado português para justificar o seu otimismo para o corrente ano: a queda do preço do petróleo, a depreciação do euro em relação ao dólar e as políticas mais ativas do Banco Central Europeu para favorecerem o acesso ao crédito, nomeadamente às PME.

Um pequeno-almoço estratégico

Cavaco Silva encontra-se em visita a Paris desde esta manhã e ao fim da tarde oferece uma receção a representantes da comunidade portuguesa na Embaixada na capital francesa.



Para esta terça-feira, antes de uma reunião, ao princípio da tarde, no Eliseu, com o seu homólogo François Hollande, Cavaco preside a um pequeno-almoço, no conhecido hotel George V, com mais de 20 grandes empresários e investidores franceses.



Apesar de não incluir qualquer representante do Ministério da Economia, a comitiva que acompanha o PR português na visita a Paris, na qual figura o presidente do AICEP, Miguel Frasquilho, considera este pequeno-almoço como "estratégico".



"Seiscentas empresas e investidores franceses estão hoje presentes em Portugal e a França é o segundo maior investidor estrangeiro no nosso país, a seguir à Espanha", diz ao Expresso uma fonte da comitiva oficial.