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Carrilho. "António Costa devia propor expulsão de Sócrates do PS"

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Manuel Maria Carrilho e José Sócrates, momentos antes de um jantar com o grupo parlamentar do PS em 2008

Alberto Frias

Eventual condenação do ex-primeiro-ministro tornará inevitável esse processo e o antigo ministro da Cultura acredita que só a expulsão "redimirá o PS aos olhos do país".

Manuel Maria Carrilho antecipa que o caso Sócrates acarrete "efeitos negativos" para o PS nas eleições legislativas - "o mais natural é que sim" - e defende que António Costa tome a iniciativa de propor a expulsão do ex-primeiro-ministro do partido.

Numa entrevista ao "Diário de Notícias" desta terça-feira, a propósito do lançamento do seu mais recente livro "Pensar o que lá vem", o professor universitário e ex-ministro da Cultura afirma que os apoiantes de José Sócrates devem preparar-se para ter de "pôr o país e os superiores interesses dos portugueses à frente, bem à frente, de legítimas amizades pessoais ou de naturais cumplicidades partidárias".

Havendo condenação, "é preciso preparar a inevitável proposta de expulsão de Sócrates do PS", insiste Carrilho. Tendo António Costa sido o seu "n.º 2", recorda, e "como a imensa maioria do PS, só se pode sentir traído, enganado". Daí que defenda que deve partir do atual líder do partido a iniciativa da expulsão, único ato que "redimirá o PS aos olhos do país".

Sobre a atualidade política e a derrota dos socialistas na Madeira, Manuel Maria Carrilho considera que  "o mais preocupante no PS é a sua inércia política" e ausência de "visão alternativa".

Carrilho admite ver "com muita expectativa" a candidatura de Henrique Neto à Presidência da República, cuja iniciativa elogia: "Ele avançou sem calculismos, não esteve à espera dos apoios das corporações, dos facilitismos e dos cortesãos do costume".

Sobre a crise na Europa, atribui a sua persistência ao facto "de se continuar a gerir a UE acentuando o caminho que nos conduziu à situação atual, mas apresentando-o retoricamente como se estivessemos a fazer o contrário". E é implacável com o Presidente francês, considerando que "Hollande não é o nome de um impasse, mas de um fracasso".