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Política

Candidatura de Menezes confirma pagamento de faturas a idosa

Comunicado explica que alguns elementos da comitiva de Filipe Menezes se quotizaram para pagar duas contas a uma idosa com dificuldades financeiras, alegadamente tocados por um caso dramático.

Depois de ao longo de todo o dia ter sido o foco das atenções noticiosas devido a uma notícia do jornal "Público", segundo a qual Luís Filipe Menezes teria pago rendas e medicamentos a moradores de bairros pobres do Porto, o que configuraria uma violação da lei eleitoral, a candidatura do ainda presidente da Câmara Municipal de Gaia marcou para o fim da tarde uma conferência de imprensa destinada a esclarecer a situação.

Menezes não compareceu perante os jornalistas, e também não houve, afinal, qualquer conferência de imprensa. Um elemento da candidatura limitou-se a ler um comunicado do qual o único facto que se extrai é a confirmação de que a 19 de julho, por transferência bancária, foram pagas duas faturas, uma no valor de 49.99 euros e a outra no valor de 84.44 euros, pertencentes a "uma idosa doente" encontrada durante uma visita "a um local particularmente insalubre".

Menezes e a comitiva, segundo expressa o comunicado, teriam sido confrontados com uma situação em que a idosa "necessitava de comprar medicamentos no valor de 250 euros com carácter de urgência". Ainda segundo a explicação prestada através do comunicado, no dia em que ocorreu aquele encontro, a idosa teria obrigatoriamente de liquidar duas "pequenas contas da fruição da sua casa, o que lhe impediria de comprar" os medicamentos.

Caso dramático

Foi perante esta situação que os elementos da comitiva de Filipe Menezes, alegadamente tocados por um caso dramático "do ponto de vista humano", terão decidido quotizar-se entre si para pagarem as duas contas.

A notícia do "Público" revelava que Menezes tem pago as rendas de alguns munícipes do Porto que para o efeito terão sido recebidos na Câmara de Gaia. Para a candidatura do autarca gaiense, a notícia "traduz de forma infame e não verdadeira uma realidade que nunca aconteceu nem nunca poderia acontecer"

A Comissão Nacional de Eleições esclareceu já que, caso sejam dados como provados os factos relatados pelo jornal, o candidato do PSD pode ter praticado atos passíveis de configurarem crimes de fraude e corrupção do eleitor e de quebra de neutralidade e imparcialidade .

Em declarações à Antena 1, o presidente da CNE refere que "quem levar o eleitor, mediante artifícios fraudulentos, a votar em certo sentido pode ser punido com pena de prisão". Esclarece ainda que, "à partida" o pagamento de rendas ou de faturas de luz pode ser um meio 'fraudulento' que traduz 'o desejo de quem votem na pessoa que faz isso'".