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Campanha eleitoral. Comunicação Social quer travar lei do PSD, CDS e PS

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António Pedro Ferreira

PSD, PS e CDS querem que meios de comunicação social sujeitem os planos de cobertura das ações de campanha à aprovação de uma entidade externa.

Filipe Santos Costa e Adriano Nobre

A proposta de lei do PSD, PS e CDS sobre novas regras de cobertura mediática das campanhas foi extremamente mal recebida pelos principais órgãos de comunicação social, que vão a Belém manifestar o desagrado e querem travar a proposta no Parlamento.

O artigo que prevê a obrigatoriedade de as redações terem de submeter previamente os seus critérios editoriais sobre a cobertura da campanha a aprovação de uma entidade externa surpreendeu negativamente os meios de comunicação social e está já a gerar contestação.

Alcides Vieira, diretor de informação da SIC, assume que "qualquer jornalistas e cidadão que preze a liberdade de expressão tem de ser contra este projeto". "Isto ultrapassa todos os limites. É um mau serviço que se presta à democracia. Obrigar os meios a comunicar a priori o que vão fazer de cobertura de campanha não faz sentido, até porque a atualidade é dinâmica e nós não podemos saber hoje o que vamos fazer amanhã", exemplifica, esperançado em que "os partidos revejam" este processo. "Para isto, preferimos que fique a lei atual, que é má, mas ao menos não nos obriga a fazer nada".

A proposta do PSD, do CDS e do PS deverá ser, aliás, um dos temas centrais na audiência que os principais grupos de media português vão ter a próxima terça-feira com o Presidente da República, em Belém. A audiência já tinha sido solicitada há semanas pela Plataforma de Meios Privados que integra a Impresa (dona do Expresso e da SIC), a Cofina ("Correio da Manhã", "Record" e "Sábado"), Global Media ("DN", "JN" e TSF), Media Capital (TVI e Rádio Comercial), Grupo Renascença (Rádio Renascença e RFM) e Público Comunicação ("Público").

Contactado pelo Expresso, Luís Nazaré, o diretor-geral da Plataforma de Meios Privados, remeteu quaisquer comentários sobre a proposta dos partidos para depois da reunião com o Presidente da República.