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Bruxelas não toma partido nas acusações entre Grécia, Portugal e Espanha

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Jean-Claude Juncker tomou conhecimento das acusações mas não quer tomar partido. A Comissão Europeia assume do papel de mediador

Julien Warnand/EPA

Comissão Europeia não quer tomar partido mas "construir pontes" entre Grécia, Espanha e Portugal. Os dois lados colocaram Jean-Claude Juncker numa posição difícil. Bruxelas refere que existe "liberdade de expressão", mas também que Tsipras deveria concentrar-se em pôr em marcha a reformas prometidas.

Susana Frexes, em Bruxelas

A Comissão Europeia diz que não é seu "papel julgar queixas", mas confirma ter recebido uma de Portugal e Espanha. Durante o fim de semana, foram vários os contactos entre Bruxelas e os governos de Passos Coelho e Mariano Rajoy.



A porta-voz Mina Andreeva confirmou também, esta segunda-feira, que foi feito um pedido para que a "Comissão comente as declarações de Alexis Tsipras". O primeiro-ministro grego acusa Portugal e Espanha de tentarem "minar" o governo do Syriza, ao dificultarem as negociações sobre a extensão do resgate grego, no seio do Eurogrupo.



Jean-Claude Juncker tomou conhecimento das acusações mas não quer tomar partido. A Comissão Europeia assume do papel de mediador e o comentário que tem para já a fazer é que "estamos a tentar construir pontes" e "a garantir a unidade".



Fontes europeias dão ainda a entender que o presidente da Comissão foi colocado numa posição difícil e que, quer as declarações de Tsipras, quer a resposta dos líderes espanhol e português à provocação do Primeiro-ministro grego, não facilitam o entendimento político.



Na quarta-feira, Juncker, Rajoy e Passos vão estar juntos em Madrid, na minicimeira sobre as ligações energéticas. Depois da reação conjunta de Portugal e Espanha, no domingo, é importante travar a ideia de que existe um "eixo contra Atenas", e contra o sucesso do Syriza, tal como acusou Tsipras.



Comissão Europeia recorda liberdade de expressão

A Comissão escusa-se também a explicar o tipo de queixa recebida, mas diz que "vivemos numa era digital e as cartas não são a única maneira de apresentar uma queixa".

Quanto ao episódio de troca de acusações entre países da União Europeia, Mina Andreeva diz que o caso não é inédito. Quanto à possibilidade de as acusações de Tsipras violarem o que está nos tratados, a porta-voz recorda que existe também "um artigo sobre a liberdade de expressão" nos textos legislativos da União Europeia.



Bruxelas quer pôr termo às trocas de acusações políticas e diz que o importante "é que a Grécia implemente as reformas de forma rápida e determinada". Só assim, o governo grego poderá terminar a última revisão do programa e receber o dinheiro dos parceiros europeus.