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BE chama Durão ao inquérito

Salgado envolveu Barroso no caso BES. Bloco quer saber mais sobre o papel do ex-presidente da Comissão Europeia.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O Bloco de Esquerda vai chamar Durão Barroso à comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES/GES. O nome do ex-presidente da Comissão Europeia (CE) foi lançado por Ricardo Salgado, durante a audição de terça-feira passada, e os bloquistas querem saber mais sobre o envolvimento de Barroso no caso. Até tendo em conta que o ex-primeiro-ministro e presidente da CE trabalhou no Banco Espírito Santo.

"Vamos chamar Durão Barroso, porque foi mencionado que teve reuniões com Ricardo Salgado na fase crucial do BES", explica ao Expresso a deputada bloquista Mariana Mortágua. Perante os deputados, o ex-CEO do banco contou uma série de contactos desencadeados em maio, para tentar salvar as empresas do ramo não-financeiro do grupo Espírito Santo, numa tentativa final de garantir o seu financiamento e evitar uma maior contaminação do banco pelos problemas do GES. "Eventualmente demos uma palavra ao dr. Durão Barroso", num encontro em Lisboa, admitiu Salgado, que também referiu reuniões com Carlos Moedas, Maria Luís Albuquerque e Passos Coelho. Segundo o banqueiro, tanto Moedas como Durão, "ouviram e compreenderam", mas "disseram que era preciso falar com o Governo, e foi isso que fizemos" - mas Passos e Maria Luís mostraram menos compreensão.

 

Moedas por escrito

"Ao contrário dos contactos com o Governo, não percebemos o porquê desse contacto" com Durão, diz Mortágua - "Queremos saber o objetivo e quais as consequências".

O interesse da CPI em ouvir portugueses ligados a organismos internacionais não tem sido correspondido. Moedas (o homem que Salgado quis "pôr a funcionar", segundo as gravações do conselho superior do GES) pediu para não ir à comissão e depor por escrito. Vítor Gaspar, agora no FMI, e Vítor Constâncio, vice-governador do BCE, pediram o mesmo.