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Barroso não está "mal de convites" mas "o futuro a Deus pertence"

Getty

De saída da presidência da Comissão Europeia, Durão Barroso não abre o jogo sobre o que vai fazer a seguir. Não diz para onde vai. Mas sabe que não volta à "política ativa".

Rosa Pedroso Lima Estrasburgo

Em português comum, Durao Barroso disse que "o futuro a Deus pertence". Ou que "l'avenir apartien a Dieu", porque a plateia era maioritariamente francesa e a mensagem era para ser compreendida. Ontem à noite, numa livraria do centro de Estrasburgo e depois de ter feito o seu último discurso ao Parlamento Europeu, o presidente cessante da Comissão Europeia foi a figura principal do lançamento de um livro sobre os seus dez anos de líder europeu.

Falou sobre o seu futuro, mas deixou quase tudo em aberto. "Provavelmente, vou continuar a intervir na vida pública" e seguir as questões "europeias e internacionais". De fora e "seguramente" está a hipótese de um regresso "à vida política activa", hipótese que Barroso já por diversas vezes tinha afastado.

O que vai fazer, então, José Manuel Durão Barroso? A resposta é vaga. Garante não estar "mal de convites", mas há "questões pessoais e familiares" a resolver antes de uma decisão definitiva. Barroso referiu-se concretamente a uma futura actividade em "seminários, conferências e universidades", mas não referiu quais, quando ou de que forma irá ser feita essa colaboração.

A hora ainda é de balanço e de memórias dos dez anos de liderança europeia. E, claro, dos períodos "extremamente difíceis" provocados por uma crise que vai ficar para sempre ligada à história da Europa e dos mandatos de Durão Barroso. Mas nem esses momentos duros ou o facto de a União europeia ter estado "à beira de um cenário calamitoso fizeram abalar as convicções europeistas do presidente cessante. "Era mais inocente quando cheguei. Perdi as ilusões, mas nunca perdi o entusiasmo ou a fé na Europa".

Portugal foi uma das vítimas da crise. "Foi dos países que mais sofreu", assume. Mas "está melhor" e"se não fosse a intervenção da Europa a tragédia teria sido ainda maior", disse a um grupo de jornalistas portugueses, no final do encontro. O país "é claro que estava à beira da bancarrota". Sem a Europa "o cenário teria sido muito mais grave".