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Autogolos, golaços e ecologia fundamental. As metáforas de Ribeiro e Castro para trazer o feriado de volta

José Ribeiro e Castro e António Costa estiveram juntos numa sessão que assinalou o 1º de Dezembro. Costa, que quer ser primeiro-ministro, fez a promessa: este é o último 1º de Dezembro em que não há feriado. O ex-líder do CDS foi claro: não votará "em ninguém, em 2015 [nas eleições legislativas], que não se comprometa claramente com a reposição do feriado nacional do 1º de Dezembro". E depois desenvolveu metáforas futebolísticas e ecológicas.

Expresso com Lusa

É sabido que José Ribeiro e Castro é manifestamente contra o fim do feriado do 1º de Dezembro. Também é conhecido que aprecia o espetáculo futebolístico. Esta segunda-feira, numa sessão que assinalou o 1º de Dezembro em Lisboa, retomou a frente de batalha - recuperar o feriado - com recurso à crónica (metáfora) futebolística.

"Devemos por isso esperar que o Governo em maioria, de que também sou parte, esteja à altura desse princípio de ecologia fundamental: limpar o próprio lixo. Se o fizerem, o resultado neste particular ficará 1-1. Menos mau: meteram o golo na própria baliza, mas corrigiram heroicamente na segunda parte. Se não o fizerem, o resultado, jogando em casa, ficará 0-2: ofereceram à oposição um autogolo e mais ainda: a oportunidade de um golaço de grande efeito na segunda parte. Os chefes é que vão decidir."

Ribeiro e Castro garantiu também que não votará "em ninguém, em 2015 [nas eleições legislativas], que não se comprometa claramente, entre outras correções e ajustamentos que importa fazer, com a reposição do feriado nacional do 1º de Dezembro ou não o tenha já feito antes". 

António Costa - atual presidente da Câmara de Lisboa, secretário-geral do PS e já em batalha legislativa - comprometeu-se. "Desde 1862 [que] o município de Lisboa se junta à Sociedade Histórica [da Independência de Portugal] para celebrar a independência nacional, data que desde 1910 e até bem recentemente constituiu feriado oficial e que quero que seja hoje o último dia em que comemoramos sem estarmos nessa condição", afirmou durante a cerimónia que assinalou o Dia da Independência, na praça dos Restauradores, em Lisboa, recebendo aplausos da plateia que o ouvia.

Este ano, assinalam-se 374 anos do golpe de estado revolucionário ocorrido a 01 de dezembro de 1640, data que foi considerada feriado nacional desde 1910 até 2012, sendo que no ano passado já não se celebrou dessa forma, em virtude da decisão tomada pelo atual Governo de maioria PSD/CDS-PP.

"Como aqui referi no ano passado, o 1º de Dezembro é património de Portugal e dos portugueses, pertence à comunidade e a ninguém é moralmente permitido dispor dele com ligeireza, mesmo que o faça invocando o nome do Estado", salientou o autarca socialista.

Estiveram representadas na cerimónia forças militares e de segurança, assim como alunos de escolas do concelho de Lisboa, que cantaram o hino nacional e o hino da restauração, aquando do içar das respetivas bandeiras.