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António Costa sai da Câmara de Lisboa

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FOTO MARCOS BORGA

O líder socialista renuncia esta quarta-feira ao mandato na maior autarquia do país.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A decisão foi comunicada esta terça-feira de tarde pelo ainda presidente da Câmara de Lisboa aos deputados da Assembleia Municipal: António Costa deixa a autarquia a partir desta quarta. A presidência do concelho passa para o número dois, Fernando Medina.

À Assembleia Municipal, Costa não explicou as razões da renúncia. Mas a justificação parece evidente: o também secretário-geral do PS e candidato a primeiro-ministro entendeu, por fim, que não era possível continuar a compatibilizar as funções por mais tempo - como, aliás, mesmo os seus mais próximos o vinham há muito alertando.

Nas últimas semanas, de resto, avolumaram-se os sinais de que estaria para breve a saída de António Costa da presidência da Câmara. Há duas semanas, o Expresso noticiou que, numa situação inédita, Fernando Medina, o nº 2 em Lisboa, acompanharia António Costa à assembleia geral da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), em Maputo, entre 16 e 17 de abril, o que já estava a ser visto como uma "apresentação internacional" do futuro presidente da Câmara. Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), Medina já fora apresentado aos seus futuros pares do Conselho Metropolitano a 5 de março.

Na semana passada, conforme o Expresso noticiou, corria com insistência, entre os socialistas, o rumor de que Costa poderia anunciar a saída em abril, ainda que só com efeitos a partir de junho.  O péssimo resultado eleitoral do PS na Madeira, apesar de a direção nacional o ter procurado circunscrever à realidade regional, terá "apressado" a decisão que há muito mesmo os seus mais próximos o vinham aconselhando a tomar. 

A compatibilização das duas funções, de facto, não foi fácil. Se a ideia era que a Câmara servisse de biombo até às legislativas, o tiro saiu pela culatra: as cheias de novembro, a criação de uma taxa de turismo, o aumento das tarifas da água, a proibição da circulação na Baixa dos automóveis com matrícula anterior a 2000, a isenção fiscal ao Benfica e, até, um discurso proferido à comunidade chinesa, tudo serviu como argumentos para o combate político contra o simultaneamente líder do PS e candidato a primeiro-ministro. Funções a que agora pode, enfim, dedicar-se em exclusividade. Para quem pede a maioria absoluta nas legislativas, não é pormenor despiciendo.