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Política

António Costa promete alternativa à "geração perdida"

António Costa encerrou o XIX congresso da Juventude Socialista

Carlos Santos

Dirigindo-se aos 'jotas', o líder socialista garantiu uma alternativa ao atual Governo capaz de resgatar a esperança dos mais jovens e a solidariedade entre gerações.  Não poupou também críticas à reforma do IRS, que na sua visão, apresenta uma "sistema discriminatório."  

No encerramento do XIX Congresso do JS em Tróia, António Costa afirmou que a missão do PS é construir uma alternativa ao atual Governo, que foi responsável pela "geração perdida", entre jovens desempregados ou emigrantes, defendendo que o anterior governo socialista já teve uma visão correta para a qualificação e progresso do país.

"Nós temos uma missão muito clara em resultado do último congresso: construir uma alternativa ao atual governo. E a construção de uma alternativa a este Governo é mesmo um projeto desta geração. O que este Governo fez foi dividir os portugueses, um conflito de gerações, construindo a ideia de que para construir o vosso futuro era vital sacrificar o presente dos vossos avós", declarou o líder socialista num discurso dirigido a centenas de 'jotas'.

Falando de "ilegalidades", António Costa não poupou adjetivos para criticar a política do Executivo, frisando que a solidariedade é essencial na família e na sociedade, tendo sido descurada pelo atual Governo.



"Para este Governo é de facto uma geração perdida", disse perentório, apontando para os 38% de desemprego jovem, os mais de 130 mil jovens que emigraram nos últimos três anos e os 250 mil jovens em risco de pobreza.

"É uma geração que se está a perder e este Governo é o responsável neste país. A construção de uma alternativa é um projeto da vossa geração. Não pode haver conformismo, baixar os braços, renunciar, em vez de encontrar uma alternativa a esta realidade. Não há maior fator de coesão social, maior fator de promoção de igualdade, maior elevador social que não seja esta geração", acrescentou.

 

Grande défice são as qualificações

Sublinhando que o grande défice de Portugal são ainda as qualificações, o líder socialista aproveitou a ocasião para tecer largos elogios ao trabalho do anterior governo do PS, embora também reconheça "erros".

"Foi graças a essa ambição que entre 2005 e 2011, a população, entre os 30 e os 34 anos, com formação superior, subiu de 17 para 26%. Esse foi um esforço que foi feito e que estava a ser alcançado. Tínhamos agora de prosseguir e dar continuidade a esse esforço e subir dos 26 para os 40% a que estamos obrigados em 2020", afirmou.

Insistindo nas críticas ao "radicalismo ideológico da direita", Costa apontou ainda o dedo à reforma do IRS, que na sua visão, apresenta uma "sistema discriminatório."

"O quociente familiar é a prova da ideologia da direita a nível de impostos. Diz-nos tudo sobre a política de distribuição de rendimentos do Governo: faz com que os que aqueles ganham mais paguem menos e quem ganha menos pague mais", criticou.





"Investimento estrangeiro não é só vistos gold"

Sobre o investimento direto estrangeiro defendeu: "não é só trocar vistos gold pela compra de imobiliário, o que está a penalizar os ativos da banca. O investimento direto estrangeiro não é só a mobilização de capital para vir comprar as empresas que estão em privatização, sem criar novos empregos, e, pelo contrário, pondo em causa os empregos que já existem."

O investimento direto estrangeiro é "atrair novas empresas, que criem novos postos de trabalho, e sobretudo novos postos de trabalho qualificados, porque nós não temos licenciados a mais, o que nós temos é postos de trabalho de qualidade a menos para os licenciados que temos produzido", concluiu.