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António Costa. Portugal não pode voltar "aos piores momentos do cavaquismo"

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FOTO André Kosters

Líder do PS diz que o resultado da maioria PSD/CDS é que ao fim de quatro anos, o país andou duas dácadas para trás.

O secretário-geral do PS afirmou hoje que o país não pode voltar "aos piores momentos do cavaquismo", acusando a atual maioria PSD/CDS de nada ter aprendido em matéria de sensibilidade social nos últimos 20 anos.

António Costa falava na abertura de um jantar que assinalou o 40º aniversário da fundação da secção de Loures do PS, num concelho em que o atual líder socialista se candidatou a presidente da Câmara em 1993, tendo perdido por curta margem para a CDU.

Na sua intervenção, o secretário-geral do PS referiu-se à conjuntura política, económica e social de 1993, transferindo parte dessa realidade para a atualidade.

"Não podemos voltar 20 anos atrás e àqueles piores momentos do cavaquismo, em que, com toda a insensibilidade social, nós chegámos ao Prior Velho e víamos a vergonha que era a Quinta do Mocho, aqueles prédios abandonados, cheios de famílias pobres, que viviam ali em condições de miséria, sem água, sem luz, com as crianças a morrerem por caírem em poços dos elevadores. Lembro ainda a desumanidade com que despejaram o lar panorâmico de Camarate e atiraram as pessoas para o Deus dará, sendo acolhidos numa fábrica de Sacavém", disse António Costa.

Depois, ainda num estilo inflamado de discurso, o secretário-geral do PS rematou: "Aquilo que sinto com este Governo é que a direita não só não aprendeu nada nestes quatro anos, como não aprendeu nada neste últimos 20 anos".

"Olha para as pessoas e para o país com o mesmo desprezo e com a mesma insensibilidade com que olhava no tempo do cavaquismo. Isso não aceitamos, porque 20 anos depois não podemos voltar para trás", acrescentou António Costa.

 

Cortes atingiram limites da dignidade humana

O secretário-geral do PS acusou o Governo de "fracasso" no controlo das finanças, ao deixar aumentar a dívida, de "falhanço" na recuperação da economia e de ter feito cortes que atingiram os limites da dignidade humana.

António Costa falava na abertura de um jantar que assinalou o 40º aniversário da secção de Loures do PS, num discurso em que criticou o Governo por ter abdicado de uma abordagem pragmática na resolução dos problemas do país "por puro preconceito ideológico".

O secretário-geral do PS exemplificou então que o executivo PSD/CDS, em vez de fazer a reforma do Estado, "pretendeu antes desmantelar o Estado, perseguindo os funcionários públicos com cortes salariais" e "degradando serviços públicos" em setores como a educação, a saúde ou a justiça.

Em paralelo, "temos hoje a maior carga fiscal de sempre (IVA ou IRS) e a dívida é hoje bastante superior da que exista há quatro anos", defendeu António Costa.

De acordo com António Costa, o Governo acreditava na tese económico-financeira de que ganhava competitividade económica se cortasse salários e diminuísse despesas sociais.

 

"O resultado destes quatro anos foi fracasso das finanças públicas e falhanço da economia"

"Mas o resultado ao fim de quatro anos é que o país andou duas décadas para trás em matéria de pobreza, há cerca de um milhão de desempregados e desencorajados, a que se juntam ainda cerca de 350 mil emigraram. O resultado destes quatro anos foi fracasso das finanças públicas e falhanço da economia", sustentou.

Depois, o secretário-geral do PS deixou uma pergunta e uma conclusão: "Quando chegamos ao final desta legislatura e perguntamos se valeu a pena, a única resposta é não, e é por isso que este Governo tem de mudar".

Para António Costa, perante "o fracasso da política deste Governo, depois do falhanço da sua estratégia, este executivo ainda diz com um ar resignado que a pobreza e o desemprego são na realidade problemas, mas que era preciso pôr as contas públicas em ordem".

"Mas o ponto fundamental é que no centro das preocupações da nossa sociedade, o limite dos limites à austeridade, o limite dos limites a todos os cortes, tem de ser a dignidade da pessoa humana. E os cortes que atiram um terço das crianças para a pobreza já estão muito para além dos limites aceitáveis da dignidade humana", acusou o secretário-geral do PS.

 

Perestrello desafia PSD e CDS sobre silêncio da estratégia às legislativas

Antes de António Costa, o presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) dos socialistas referiu que o concelho de Loures está ligado à sua adesão ao PS, mas também "à afirmação política de António Costa" na vida política nacional - uma alusão à candidatura autárquicas de 1993 (que perdeu para a CDU), em que organizou uma corrida entre um burro e um Ferrari para tentar demonstrar o caos do trânsito nas ligações a Lisboa.

"O burro ganhou a corrida, mas o Ferrari acabou por chegar lá acima", declarou Marcos Perestrello, numa "mensagem de confiança" sobre a possibilidade de o PS vencer as próximas eleições legislativas "com maioria absoluta".

Marcos Perestrello deixou depois um desafio ao PSD e CDS no sentido de que "esclareçam se o programa que têm para o país, para os próximos quatro anos, é de aprofundamento da política que até agora prosseguiram". "Já agora, esclareçam se concorrem separados ou coligados", questionou o líder da FAUL do PS.

Num dos primeiros discursos da noite, a dirigente socialista e presidente da Câmara de Odivelas, Susana Amador, fez um cerrado ataque à medidas de âmbito social tomadas pelo executivo liderado por Pedro Passos Coelho, considerando que "é indigno de continuar a governar Portugal", porque "não tem qualquer visão estratégica".

Susana Amador disse que nas próximas eleições legislativas os portugueses "têm de rejeitar o país de mão estendida", acusando então o Governo de seguir uma lógica assistencialista no domínio social.

"Neste últimos quatro anos, foram retirados apoios sociais às famílias mais vulneráveis, como o rendimento social de inserção ou o complemento solidário para idosos", referiu a presidente da Câmara de Odivelas.