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António Costa elogia Bloco Central. Um sinal para 2015?

André Kosters/Lusa

No jantar de Natal dos deputados do PS, o líder socialista disse que o país precisa de confiança e de uma vida nova em 2015, tomando, depois, como bom exemplo, o que aconteceu no início da década de 1980, quando um Governo PS/PSD foi fundamental para repor a esperança dos portugueses.

António Costa evocou terça-feira à noite a liderança de Mário Soares no Governo do Bloco Central PS/PSD, para defender um projeto que devolva a confiança e mobilize os portugueses no combate à crise. O secretário-geral do PS referiu-se à experiência do executivo de coligação PS/PSD, entre 1983 e 1985, na sua intervenção no jantar de Natal do Grupo Parlamentar do PS, num discurso que teve menos de dez minutos.

O líder dos socialistas defendeu que Portugal precisa de confiança e de uma vida nova em 2015, tomando, depois, como bom exemplo, o que aconteceu no país no início da década de 1980, em que um executivo PSD/CDS (da Aliança Democrática) foi substituído por um Governo PS/PSD, de Mário Soares e Carlos Alberto Mota Pinto.

Costa caracterizou esse Governo do "Bloco Central" como fundamental para repor a esperança dos portugueses, num momento em que Portugal se encontrava sob intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI): "Percebemos que muitas das medidas muito duras que foram tomadas não teriam sido possíveis certamente sem um grande ministro das Finanças [Ernâni Lopes], mas, sobretudo, tudo seria impossível sem a capacidade política de mobilização de uma liderança que Mário Soares assegurou, que permitiu vencer aquela crise e a integração na União Europeia", declarou.

Depois de breves palavras proferidas pelo líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, o secretário-geral do PS começou por falar em "ano novo e vida nova". "Penso que 2015 tem de ser o ano da confiança, porque se há algum bem mais precioso que este Governo tem tirado ao país é precisamente a confiança - a confiança das famílias de que vale a pena investirem na educação dos seus filhos, a confiança de todos os jovens de que vale a pena terem melhores qualificações, mas também a confiança dos trabalhadores, dos empresários, dos pensionistas ou dos agentes da ciência e da cultura", disse.

De acordo com António Costa, "é dessa confiança que os portugueses têm sido privados" pelo executivo PSD/CDS liderado por Pedro Passos Coelho. "E não há país que seja capaz de se mobilizar para vencer a crise se não tiver confiança", insistiu o líder socialista.

Com dezenas de deputados socialistas a escutá-lo, assim como o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, Costa defendeu a importância de o país ter "um sentido de futuro", abdicando de se ficar "pela contemplação da execução do memorando" da 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

"Para o ano, assinalaremos os 600 anos da conquista de Ceuta e também os 40 anos da descolonização, um ciclo histórico em que o país procurou superar-se a si próprio através da expansão, descobrindo novos territórios, rotas e riquezas. Temos de nos superar outra vez, só que desta vez a expansão é dentro de nós próprios, descobrindo as Índias que estão por descobrir dentro de nós próprios", acrescentou.