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António Costa. "É extremamente perigoso" privatizar a TAP

Alberto Frias

À saída da sua primeira audiência oficial com o primeiro-ministro, o secretário-geral do PS falou sobre a greve de pessoal da TAP e sublinhou que "há alternativas" à privatização da transportadora aérea nacional. 

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Editora de Política da SIC

"Não podemos pedir aos privados que façam o que só o Estado pode fazer" - pôr o interesse público acima de tudo o resto. O líder do PS repudiava, assim, em declarações à imprensa à saída da sua primeira audiência com Pedro Passos Coelho, a intenção do Executivo de privatizar a TAP. 

A propósito do anúncio de greve do pessoal da TAP para os dias entre o Natal e o Ano Novo, António Costa não se furtou a comentar que considera haver alternativas à privatização. "O PS tem consciência que é necessário capitalizar a TAP e que, perante as restrições que a UE tem imposto ao aumento de capital por parte do Estado, temos de encontrar uma alternativa". Mas, afirmou, "há alternativas à privatização" (por exemplo, "através de um aumento de capital em Bolsa"). "Extremamente perigoso é sacrificar a manutenção do controle público sobre o que é um dos maiores pilares da soberania nacional."

António Costa falava em São Bento, à saída da sua primeira audiência oficial (enquanto secretário-geral do PS) com o primeiro-ministro. Acompanhado de Ferro Rodrigues (líder parlamentar do PS) e de Maria da Luz Rosinha (que integra o Secretariado Nacional), o líder socialista classificou a conversa (de 1h45m) como "muito cordial e sobre temas diversos". 

Sublinhando que "é fundamental" que os vários dirigentes políticos mantenham uma relação "cordial e de normalidade", criticou a situação"algo perversa, de crispação e incomunicabilidade" que se verificou nos últimos anos ."É importante para o país que os políticos se respeitem e considerem", voltou a afirmar.

Repetindo o que disse há duas semanas no discurso final do congresso socialista, sublinhou que "as convergências e divergências" dentre as diferentes forças políticas se fundamentam "não em função das pessoas, mas das políticas". "São as políticas que devem marcar a diferença."

Mas enfatizou a necessidade de o país "voltar a ter um sentido comum, um projeto partilhado coletivamente", ainda que admita que "há vários caminhos para chegar a Roma (...) e os portugueses saberão julgar qual o melhor caminho".

Questionado sobre a possibilidade de entendimentos com os partidos do Governo, Costa referiu que "os enetendimentos não são em abstrato" e que "há temas sobre os quais há entendimento" e outros "em que diria que o entendimento é impossível, tal a divergência do ponto de partida".