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António Costa. Desaire na Madeira "tem causas próprias".

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As eleições regionais "são distintas" e "têm causas próprias", não servindo de indicador para eleições nacionais.

O desaire do PS domingo na Madeira não belisca o entusiasmo e confiança do secretário-geral António Costa de uma vitória nas legislativas. "São eleições distintas. As eleições regionais têm causas e lógica próprias que não se repetem nas nacionais", reagiu esta segunda-feira à noite, no debate em que participou no Clube dos Pensadores, em Gaia. Costa recordou que o PS já ganhou eleições nos Açores e depois perdeu no país para sustentar a tese de que a derrota na Madeira não serve de indicador nem compromete o esperado sucesso nas legislativas.

Após o debate, Costa não esteve disponível para os jornalistas Ainda assim o Expresso abordou-o, questionando sobre as presidenciais e a candidatura de Henrique Neto. Costa limitou-se a dizer que nada tinha a acrescentar ao que já dissera (a candidatura é-lhe indiferente), mas demarcou-se dos comentários jocosos de José Lelo e Augusto Santos Silva que compararam o empresário a palhaço e bobo. "Claro que discordo e não subscrevo", respondeu Costa.

Respostas defensivas

Depois de participar no domingo num comício no Porto, o secretário-geral do PS voltou ontem a fazer os 300 quilómetros da A1 entre a capital e a Invicta para animar o 90.º debate do Clube dos Pensadores.

A sessão registou uma enchente (perto de 200 pessoas), beneficiando da mobilização socialista ou, como diria o organizador Joaquim Jorge, do "cheiro a poder". Costa enfrentou um plateia simpática e elogiosa que o poupou a perguntas incómodas e adotaria uma atitude defensiva e um estilo moderado e nada comicieiro, com respostas, em geral vagas e descomprometidas.

Por exemplo, o que faria um seu governo aos lesados do BES? "A intervenção do Estado retirou ativos do BES, protegendo o Novo Banco e desprotegendo os credores. Receio que o nível de litigância será muito elevado".

Ou sobre  a revisão do mapa judiciário: "Aguardamos a avaliação que o Conselho Superior de Magistratura está a realizar para desfazer o que estiver mal e aperfeiçoar o que for necessário".  Em matéria de Justiça, a qualidade mede-se "pela proximidade às populações", sem esquecer a importância dos "princípios da racionalização e especialização"

Ou ainda sobre a fusão das freguesias. No fim deste mandato "cada concelho deve proceder a um balanço para verificar o que se deve manter ou mudar".

Medidas fiscais à espera dos sábios

As medidas fiscais ficam para depois.  Além da redução do IVA da restauração para 13% que herdou da anterior direção e da defesa da cláusula de salvaguarda no IMI, as medidas "ficam a aguardar a elaboração do programa do governo".

O PS tem um grupo de sábios a traçar o cenário macroeconómico provável em que se  moverá a próxima legislatura. Costa não quer correr o risco dos três últimos primeiros-ministros que cometeram o feio pecado de aumentar os impostos quando tinham prometido na campanha precisamente o contrário. Por  isso, as suas promessas eleitorais serão  "rigorosas e realistas", balizadas pelas previsões do tal comité de especialistas.

Costa tem dito que anulará os cortes nos salários da função pública. E de onde vem o dinheiro, quis saber Joaquim Jorge? "A reposição dos salários decorre de uma decisão do Tribunal Constitucional que o Governo terá de acatar", respondeu Costa.