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António Costa à RTP: uma notícia e uma explicação

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FOTO Luís Barra

Em entrevista à estação pública, o líder do PS anunciou que apresentará o seu programa de Governo a 6 de junho. E explicou por que não explorou as dívidas de Passos à segurança social: "Tenho uma reação quase visceral quanto a esta política de casos".

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Primeiro, a notícia: o programa de Governo, que o líder socialista tinha prometido apresentar até ao final da primavera, já tem data. Será conhecido a 6 de junho, anunciou em entrevista à RTP, esta noite, António Costa, que até lá se recusa a andar mais depressa, por mais criticado que seja por isso.

"Não se corre uma maratona como se correm 100 metros", justificou, para acrescentar: "Estamos a fazer o nosso caminho com a tranquilidade de quem sabe que está a fazer o caminho certo".

Depois, a explicação: assumindo implicitamente que não pretende explorar as eventuais fragilidades de Pedro Passos Coelho no que respeita aos seus descontos para a Segurança Social, Costa reconheceu na entrevista ao canal público ter "uma reação quase visceral quanto a esta política de casos". "Detesto este tipo de casos, onde o juízo dos políticos acrescenta pouco. O caso está bem entregue, nas mãos dos portugueses".

Questionado porque razão, ao contrário dos demais partidos da oposição, no debate quinzenal realizado durante a tarde no Parlamento, o PS não pediu a demissão do primeiro-ministro, Costa admitiu a inutilidade do gesto já que, explicou, a queda do Governo só podia dar-se por três vias:

1) um ato de consciência do próprio Passos Coelho, "como diz o meu amigo Manuel Alegre"; mas "a indulgência que o primeiro-ministro tem sobre si próprio é bastante distinta da intransigência que ele tem sobre os portugueses";

2) PSD e CDS deixarem de apoiar o Governo, mas "dão-lhe total cobertura";

3) o Presidente assim o entender; mas "o PR também entende que está tudo bem".

Por si, fez questão de deixar claro, o assunto está encerrado: "Está tudo esclarecido e quanto mais o primeiro-ministro diz, menos esclarece".  

Sobre o embaraço que o caso Sócrates traz ao PS, António Costa foi parco em palavras e recusou qualificar a prisão do antigo primeiro-ministro como um caso político: "O PS respeita escrupulosamente a separação de poderes e o funcionamento do sistema de justiça".

"Como amigo e camarada desejo o melhor a José Sócrates. Mas não estão aqui em causa os sentimentos do António Costa", concluiu.