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Aliança corre mal e MPT acusa Marinho de desviar verbas

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António Marinho e Pinto. Deputado europeu eleito pelo MPT e líder do PDR

Lusa

Cartazes que anunciavam jantar-debate de Marinho e Pinto em Bruxelas originam queixa do seu colega de bancada. "Inveja", responde o líder do Partido Democrático Republicano.

Rosa Pedroso Lima com Susana Frexes

José Inácio Faria, o segundo eurodeputado eleito pelo MPT (Partido da Terra), entregou, esta semana, um pedido de esclarecimento junto do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz e do líder do grupo dos Liberais Europeus (Alde), Guy Verhofstadt, sobre a "legalidade" de um jantar-debate promovido, na passada terça-feira em Bruxelas, por Marinho e Pinto.

O dirigente do MPT classifica como "abusiva" a utilização do símbolo do PDR nos cartazes que promoveram o evento e defende que "é inadmissível a utilização de verbas europeias para a promoção de iniciativas de carácter partidário".

José Inácio Faria confessa ter ficado "perplexo" quando viu os cartazes, espalhados pelo Parlamento Europeu "e por algumas ruas de Bruxelas" que promoviam um jantar-debate com Marinho e Pinto. O tema era: "Aproximar a Europa dos cidadãos" e, além de uma fotografia do eurodeputado, o cartaz incluía o logótipo do Partido Democrático Republicano (PDR) ao lado do símbolo do Alde, a família dos liberais europeus, de que faz parte do MPT. O Alde integra ainda Marinho e Pinto, mas agora na qualidade de independente, depois do corte de relações com o partido pelo qual concorreu ao Parlamento Europeu. 

PDR não faz parte do Parlamento Europeu

Na base da perplexidade de Faria está o facto de "o PDR não ser um partido do PE, até porque não existia no momento em que Marinho e Pinto concorreu e foi eleito". Por outro lado, "as regras de financiamento destas iniciativas são claras e proíbem qualquer utilização em eventos de natureza partidária ou de campanha eleitoral". Faria garante que o encontro "foi um autêntico comício eleitoral de promoção do PDR". Nesse sentido, "pode, no mínimo tratar-se de uma situação bizarra e, no máximo de uma ilegalidade que configura um desvio de verba", diz Faria. Não obteve ainda resposta mas, ao Expresso, o porta-voz do Alde, Jeroen Reijnen, admitiu não existir problema, tanto mais que apesar de o PDR não fazer parte dos Liberais Europeus, Marinho e Pinto faz...

O Expresso ouviu um dos presentes no jantar que confirmou que o encontro "teve um carácter sobretudo partidário", existindo "bandeiras do PDR por todo o lado, assim como fichas de inscrição para militante". Marinho e Pinto "falou da Europa, mas sobretudo de política nacional e defendeu o seu projeto partidário", afirmou a fonte que pediu anonimato. 

"Frustração, raiva e ódio"

A queixa do eurodeputado do MPT será debatido na próxima reunião do bureau do Alde, a realizar na próxima semana. No encontro, José Inácio Faria promete levantar a questão para "esclarecimento" e terá Marinho e Pinto como interlocutor direto. O líder do PDR promete, por seu lado, responder à letra e até "tomar todas as medidas adequadas", não explicando "por enquanto" quais serão. Garantiu ainda ao Expresso que o evento "era do conhecimento do Alde e, naturalmente, teve o seu aval". Até porque, diz Marinho, "o financiamento foi feito através das linhas específicas para a promoção do debate europeu de que o Alde dispõe e que aprovou neste caso".

Para Marinho e Pinto a reação do seu colega de bancada parlamentar é simples de explicar. "É frustração, raiva e ódio", afirma, acusando José Inácio Faria de "pequenez e incapacidade de iniciativa política". Para o líder do PDR o facto de o jantar-debate ter sido "um sucesso" que juntou "mais de uma centena de pessoas" está a "provocar comichões em muita gente".

O líder do PDR acrescenta ainda que "não foi o MPT que me elegeu, fui eu que fui eleito para o PE" e recusa ser "condicionado" pelo facto de ter abandonado o partido pelo qual concorreu às europeias para lançar uma nova organização política. 

Quanto ao teor do jantar-debate, Marinho e Pinto garante ter sido uma iniciativa de "aproximação dos cidadãos à Europa", tendo aproveitado "para fazer a minha apologia  da ideia europeia" e "promover a União Europeia". Com sala cheia, "foi um grande debate" que surgiu depois de um jantar de "pastéis de bacalhau com arroz de feijão". Em nome da transparência, o eurodeputado esclarece que o custo da refeição foi de dez euros por pessoa. Pagos, naturalmente, pela Europa.