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Aguiar ataca Rio, Rangel responde: "É soviético"

Aguiar Branco pede censura política para os transfugas. Rangel acusa-o de ter uma visão "soviética" do partido. Direção do PSD não se envolve. 

José Pedro Aguiar Branco defendeu hoje no Conselho Nacional do PSD que é preciso fazer uma censura política aos militantes que apoiaram candidatos alheios ao partido. Divergindo da colega de Governo Paula Teixeira da Cruz, que minutos antes fizera um apelo lancinante contra a caça às bruxas, o ministro da Defesa acha que os transfugas não podem passar incólumes.

Aguiar Branco criticou Paulo Rangel, Rui Rio e Valente de Oliveira, por não terem apoiado Luís Filipe Menezes no Porto. Depois da derrota que ele próprio sofreu por integrar as listas do PSD à capital do norte, Aguiar chegou a ressuscitar críticas a Manuela Ferreira Leite por ter excluído Passos Coelho das listas de deputados e lamentou não ter visto alguns vultos do PSD ao lado de Menezes.

Paulo Rangel acusou-o de ter uma visão "soviética" do partido. O eurodeputado explicou que não se pode tirar a ninguém o direito de não apoiar um candidato e que, tendo ele defendido a ilegalidade da candidatura dos 'dinossauros', nunca poderia apoiar Menezes. Rangel foi apupado, ao contrário de Aguiar Branco que arrancou um grande aplauso da plateia, mas lembrou que, como dizia Sá Carneiro, "primeiro o país, depois o partido".

Passos Coelho deitou água na fervura pedindo que não se alimentasse ali aquela discussão e Marco António Costa saiu da sala e falou à imprensa. "Não houve da parte de Rui Rio nenhuma declaração expressa de apoio a outro candidato", afirmou o porta-voz do PSD. Rio é poupado pela direção nacional. Passos, aliás, já tinha pedido à Comissão Permanente que travasse a caça às bruxas.

Marco António garantiu que não irão tomar nenhuma iniciativa relacionada com eventuais sanções a militantes - "Somos um partido tolerante" -, mas lembrou que há estatutos e que o que normalmente acontece nestes casos é: "Ou o militante toma a iniciativa de suspender a sua inscrição no partido ou o Conselho de Jurisdição trata da questão".

Vários conselheiros e dirigentes concelhios e distritais defendem a saída de quem divergiu. Carlos Carreiras e Miguel Pionto Luz, de Lisboa, assumiram-no e ao Conselho de Jurisdição não tardarão a chegar algumas queixas no sentido de dar sequência à saída de quem violou os estatutos.