Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Adriano Moreira. Situação na Europa é "alarmante"

  • 333

Nuno Botelho

Professor considera que a União Europeia seguiu um trajeto errado e que Portugal está sujeito a decisões em que não participa.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Adriano Moreira considera "alarmante" a situação que se vive na Europa, nomeadamente em termos de segurança, e apontou o exemplo da Alemanha ser o único país da União interessada em fazer um exército europeu como "muito significativo".

O professor falava esta terça-feira numa conferência sobre o tema "A Europa entre os projetos e as memórias", organizado na Sociedade de Geografia, que assim abriu um ciclo de debates organizados pela "Comissão Europeia" desta sociedade.

"A situação de alarme europeu em relação à segurança agravou-se enormemente e há uma coisa segura, é a de que não há recursos na Europa para organizar uma segurança e uma defesa comum", reafirmou ao Expresso.

"A Alemanha deseja ter um estatuto igual na comunidade das nações, incluindo na área militar, que não tem, e o exército europeu seria uma porta aberta para o conseguir", disse ainda, acrescentando que "não é de espantar que se tenha imediatamente disposto a isso e não é de espantar o cuidado dos outros" .

"Portugal é um país exógeno"

Sobre a situação de Portugal, Adriano Moreira referiu que Portugal chegou a uma situação de pais "exógeno", e explicou: "É um país sujeito a decisões em que não toma parte, de maneira que não depende da situação portuguesa os efeitos da situação alarmante a que chegámos neste momento".



Para o professor, a unidade europeia foi objeto de políticas erradas ao longo dos anos, começando pelo facto dos parlamentos e populações não terem tomado parte, a que acresceu ainda um alargamento feito sem qualquer estudo conhecido sobre a governabilidade e um projeto de segurança e defesa sem o estudo do que chamou "fronteiras amigas".



Adriano Moreira considera que o conflito ideológico de outrora foi substituído pelo "novo-riquismo ocidental". "O Estado faz tantas exigências financeiras que as populações atingiram a fadiga fiscal em toda a parte, tornando-se um Estado mais 'extractor' do que inclusivo.



Estas circunstâncias, disse, "fizeram crescer o desamor europeu, os partidos reacionários contra a unidade europeia e os movimentos contra os partidos existentes, que estão à procura de qualquer coisa diferente".



"A Europa não tem um conceito estratégico", concluiu, porque vive a hesitação entre a união e a federação. "Os poderes que efetivamente mandam não são os identificados nas leis, são outros, e isso chama-se anarquia", resumiu Adriano Moreira, que se manifestou ainda a favor do projeto do estado social europeu.