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A Grécia vai ficar no euro. Garantia de comissário europeu

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FOTO MÁRIO CRUZ / LUSA

De visita a Lisboa, Pierre Moscovici diz que é possível um acordo entre Atenas e as instituições internacionais. O comissário, que almoçou com António Costa, fez ainda questão de salientar que a Comissão não vem exigir nada a Portugal.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A Grécia vai ficar na eurozona e, no final, vai ser possível um acordo que o permita, mas possivelmente só no último minuto. A convicção foi manifestada esta terça-feira pelo comissário europeu dos Assuntos Económicos, o francês Pierre Moscovici, numa conversa informal com os jornalistas. 

As negociações técnicas entre a Grécia e Bruxelas terminaram segunda-feira sem se ter chegado a acordo, embora tenham sido consideradas como "construtivas". Tal como Moscovici, também o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk,  se manifestou certo de que se chegaria a um acordo até final de abril e que a "situação está sob controlo". 

O comissário europeu está em Portugal numa visita a convite do Parlamento, onde será ouvido pelos deputados num audição conjunta das comissões de Assuntos Europeus e de Orçamento, Finanças e Administração Pública, no âmbito do Semestre Europeu/2015 e do chamado "plano Juncker" de investimentos. 

Moscovici terá ainda encontros com a presidente da Assembleia da República, a ministra das Finanças e o secretário de Estado dos Assuntos Europeus. Os temas do Pacto de Estabilidade e do Plano Nacional de Reformas, que Portugal tem de entregar em Bruxelas até ao final de abril, também estarão na agenda de contactos, bem como a recente proposta feita pelo Governo de criar um subsídio de desemprego comum. 

O comissário, que foi ministro das Finanças de François Hollande, almoçou ainda com António Costa.  

Para Moscovici, não há alternativa para a Grécia fora do espaço europeu e tudo está a ser feito para que se encontre um compromisso que atenda aos interesses de ambas as partes, na medida em que todos pretendem que aquele país se mantenha no euro. A ideia é que tem de haver um equilíbrio das reformas entre o que pretendem os gregos e o que os restantes parceiros querem.  

Um plano B nem sequer é admitido ao mais alto nível na Comissão, que considera que é cedo e mesmo uma armadilha abordar-se agora a hipótese de um terceiro resgate. O lema parece ser o de andar passo a passo, mantendo a unidade entre todos. 

O novo espírito da Comissão liderada por Jean-Claude Juncker é dar um novo ênfase à flexibilidade, porque a Europa entrou numa nova fase e há que recuperar o crescimento e a criação de empregos, de modo a estabilizar a eurozona. O próprio presidente da Comissão já afirmou que se dentro de cinco anos não houver mais crescimento e emprego, será a morte do projeto europeu. 

É nesse sentido que, na visita a Portugal, Moscovici faz questão de salientar que a Comissão não vem exigir nada e que esta não é nem pode assumir uma imagem punitiva. Há reformas que foram feitas, outras que estão a meio caminho e que devem continuar, independentemente dos governos e das eleições. As eleições não são um problema nem devem sê-lo nunca. 

Segundo a  Comissão, apesar dos progressos assinaláveis feitos por Portugal nos últimos anos, é preciso mais investimento, uma hipótese que se abre com o plano Juncker. Nesse sentido, a mensagem é que o fundamental é ter bons projetos, em linha com os objetivos do plano e que aproveitem à economia. Energia, digital, transportes, capital humano, investigação e inovação são os setores considerados prioritários.