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"A direita está em morte lenta, mas segura"

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FOTO LUCÍLIA MONTEIRO

Ferro Rodrigues abriu as jornadas parlamentares do PS, em Gaia, ao ataque. Refletiu sobre acrónimos - VEM e VIP - antes de o presidente da autarquia de Gaia desenvolver uma intervenção para desmitificar a "dicotomia entre uma direita que gere bem e uma esquerda que gasta muito".

Valdemar Cruz (texto) Lucília Monteiro (fotos)

Foi com uma frase de efeito, antecedida de um diagnóstico duro, que Ferro Rodrigues abriu esta sexta-feira à tarde em Gaia as jornadas parlamentares do PS: "A direita está em morte lenta, mas segura". Inserida num curto improviso inicial que permitiu ao líder parlamentar falar de um "retrocesso económico sem paralelo" em resultado "de uma deriva ideológica adversa ao poder público, aos diretos sociais e à inclusão social", aquela era também uma forma de denunciar o que Ferro considera ter sido o retrato das políticas de direita seguidas pelo Governo PSD/CDS nos últimos quatro anos.

A opção por um modelo assente no ajoelhar perante a troika, e empenhado "no empobrecimento da população", desencadeou "um aumento dramático da pobreza" e falhou porque as políticas adotadas, sublinhou o deputado do PS, "conduziram muitos portugueses ao limite dos padrões mínimos exigidos para um nível de vida digno".

Numa intervenção sempre muito centrada nas questões sociais, Ferro acabou por chamar à colação as recentes notícias sobre a existência de uma lista "VIP" que teria sido entregue pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, à direção de segurança informática do Fisco. O governante já veio desmentir e ameaçar com processo judicial, mas, para Ferro, estamos "perante uma questão demasiado grave, que é política e não judicial", pelo que muitas explicações terão de ser fornecidas.

As jornadas tiveram um primeiro momento protocolar durante a manhã, no qual António Costa apresentou cumprimentos ao presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, visitou a creche Cercigaia e o centro de incubadora de empresas Inovagaia antes de tecer várias críticas ao programa VEM, de estímulo ao regresso de emigrantes, ontem lançado pelo Governo de Passos Coelho.

FOTO LUCÍLIA MONTEIRO

A sessão de abertura decorreu à tarde. Antes de Ferro Rodrigues falou o responsável pela autarquia de Gaia, com uma intervenção virada para a vontade de desmitificar a "dicotomia entre uma direita que gere bem e uma esquerda que gasta muito". A referência óbvia era para a situação de endividamento do município gaiense deixada por Luís Filipe Menezes, o que levou Vítor Rodrigues a sublinhar ser possível "ter uma esquerda a dirigir um município com base na honestidade e em simultâneo desenvolver políticas sociais que extravasam as suas competências plasmadas na lei, mas que constituem um desafio". Por fim, um apelo aos deputados do PS: "Tratem do Norte, porque esta é a região que mais tem sofrido com a degradação social". O Norte, acrescentou, "vive uma realidade dramática com indicadores sócio-económicos assustadores".

José Luís Carneiro, presidente da distrital do Porto do PS, também acentuou a carga negativa dos indicadores referentes à região Norte. São, disse, as consequências de uma política que deixa para trás "os mais frágeis dos frágeis". "Com a 'reqalificação', o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social abandonou à sua sorte mais de 500 crianças, dos zero aos seis anos, do distrito do Porto com necessidades especiais", acrescentou. Ao nível do emprego, os números são também preocupantes. A Norte, frisou José Luís Carneiro, "no passado mês de janeiro, o desemprego mantinha-se elevado quando comparado com 2011 - mais de 20 mil pessoas foram confrontadas com esse desespero".

De alguma forma, Ferro Rodrigues fazia mais tarde a ponte com estes indicadores ao salientar que "os números não são apenas números - são pessoas".

Ora, é a partir dos dramas pessoas que o PS pretende desenvolver esta jornada de reflexão ao colocar como ideia central a necessidade de "crescer com as pessoas", o que pressupõe "mais investimento e mais inclusão".