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Política

BE diz a Centeno que é um “erro” o Governo “confundir exigências com ultimatos”

Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda.

TIAGO PETINGA/LUSA

Bloquistas acreditam que Centeno presidente do Eurogrupo é diferente de Centeno ministro das Finanças. E respondem ao Governo: “Confundir exigências com ultimatos é um erro de análise”. O BE está preocupado com os atraso nas negociações do OE

O Bloco de Esquerda tem saudades de Mário Centeno - mas é do antigo Mário Centeno -, que nos primeiros anos enquanto ministro batalhava contra Bruxelas, e não do novo Mário Centeno, presidente do Eurogrupo. Pelo menos, foi o que garantiu a deputada Mariana Mortágua na terde desta terça-feira, interpelando o ministro das Finanças no Parlamento.

Durante uma audição na Comissão de Finanças, Orçamento e Modernização Administrativa, a bloquista deixou críticas ao ministro das Finanças, que se "converteu à narrativa do diretório europeu". "Lembra-se do seu primeiro ano de governação, das pressões arbitrárias da Comissão Europeia sobre o orçamento, de como as regras arbitrárias forçaram o Estado a intervir à pressa no Banif e no Novo Banco? Na altura criticava estas regras. Tem memória dessa crítica e desses tempos?", questionou.

"É muito difícil entender como o mesmo ministro vem apresentar o aprofundamento dessas regras que tanto criticaram Portugal como uma vitória das instituições", lamentou a mesma deputada.

BE tem pressa para negociar OE

A dirigente do Bloco de Esquerda foi mais longe, respondendo também aos últimos ataques do Governo (o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, avisou o BE no fim de semana para não "cair na tentação de fazer ultimatos"). "É um erro achar que todas as críticas são manipulações da direita. Tal como [o Governo] faz mal em confundir exigências com ultimatos. É um erro de análise", frisou Mortágua.

As garantias foram dadas numa audição em que esquerda e direita dirigiram ao Governo críticas semelhantes - do estado do Serviço Nacional de Saúde às negociações para a contagem do tempo de carreira dos professores - com o PSD a concluir que "há vários diabos à solta no país".

Com o tempo das negociações para o Orçamento do Estado a aproximar-se, a bloquista mostrou ainda preocupação com a demora que o arranque do processo está a levar. "No ano passado, por esta altura já levávamos meses de negociação sobre a descida da IRS", recordou, acrescentando que estes atrasos "prejudicam a capacidade para negociar as melhores soluções". E adiantou quais os temas que o BE quer discutir o mais rapidamente possível com o Governo: "Há temas importantes que exigem esse tempo, como as pensões, reformas antecipadas, o financiamento dos serviços públicos, os salários ou o custo energético (...). Espero que possamos recuperar o tempo perdido e discutir sobre os problemas nos serviços públicos de forma desassombrada", rematou.