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António Costa. “O PS não é a carochinha à procura do João Ratão”

ANTÓNIO COTRIM/Lusa

António Costa fechou esta terça-feira à noite, em Lisboa, o ciclo de sessões de preparação para o debate sobre o estado da Nação. Dois pontos: o Partido Socialista não anda à procura de novos parceiros e, se esta solução governativa provar que é um sucesso até final, merece ser repetida

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A sala do hotel Roma, em Lisboa, estava cheia a transbordar, mas também não era desmesuradamente grande. Estavam pelo menos três centenas de militantes socialistas na última sessão da iniciativa "PS em movimento", que distribuiu ministros e dirigentes nacionais em cinco dias pelos 18 distritos do país para preparar o debate sobre o estado da Nação, que se realizará esta sexta-feira.

António Costa protagonizou a única intervenção da noite. O secretário-geral do PS e primeiro-ministro fez o balanço da governação, como era de esperar, e respondeu ao que considerou ser o novo "mantra" da oposição: a necessidade de um bloco central.

No primeiro ano, a direita dizia que ia haver um "plano B" e não houve, no segundo que vinha aí o diabo, resumiu. Agora, afirmou, "dizem que esta solução de governo não funciona e é preciso um bloco central". E atirou à plateia, onde estavam presentes os ministros Mário Centeno e Maria Manuel Leitão Marques: "o PS não é propriamente uma carochinha que anda à procura de um João Ratão. Somos um partido com identidade e história própria, com muito orgulho dela e um programa muito claro para executar e tem vindo a cumprir passo a passo, como tem feito esta legislatura e seguramente continuará a fazer na próxima", sublinhou, perante os aplausos dos militantes.

António Costa reafirmou, depois de assinalar os principais "feitos" económicos da legislatura, como o défice público baixo, o crescimento da economia e a baixa do desemprego: "Caminho que dá bons resultados é caminho que deve ser prosseguido".

Ora, "ao longo de três anos demonstrámos que também à esquerda é possível encontrar soluções governativas estáveis, duradouras e com bons resultados para o país", disse. Razão pela qual, afirmou mais adiante, o PS parte "para este debate com confiança, que esta solução prove até ao final que foi um sucesso e por isso merece ser repetida até às próximas eleições".

"Há muita gente nervosa com o orçamento"

Abordando seguidamente a questão do Orçamento do Estado, sobre o qual "há muitas pessoas que estão nervosas", sublinhou que "as discussões fazem-se no Governo, entre o Governo e a Assembleia da República e do PS com os quatro parceiros".

Cada um, destacou, prepara-o "apresentando as suas prioridades, vendo e medindo as possibilidades de as concretizar e fazendo o esforço para compatibilizar as diversas prioridades e ter um orçamento que seja, em si, coerente". E acrescentou: foi assim que foi feito nos últimos três anos, pelo que "não há nenhuma razão para que não seja feito o mesmo em 2019".

O primeiro-ministro deixou, então, o recado, falando diretamente para os parceiros: "os portugueses não compreenderiam e não nos perdoariam que, depois de termos demonstrado que era possível romper com a austeridade mantendo-nos no euro, de termos o maior crescimento económico desde o princípio do século, a maior redução de desemprego, a maior criação de emprego, deitássemos tudo a perder neste último ano da legislatura pela pressa de chegar às eleições e perturbássemos aquilo que deve ser feito com calma e serenidade tal como foi feito nos anos anteriores".

"Da nossa parte", disse, "estamos muito serenos, confiantes e tranquilos. Todos os exercícios orçamentais correspondem à essência da política, que é a de que perante necessidades ilimitadas e meios limitados, tem de se adequar os meios disponíveis às necessidades prioritárias".

"Não podemos dar um passo maior que a perna"

Na sua intervenção, o líder do PS ainda falou sobre as questões da saúde, único tema sobre o qual disse "querer gastar algum tempo". Fez a defesa dos argumentos que têm sido repetidos pelo ministro Adalberto Campos Fernandes, sublinhando que "as políticas públicas não podem ser definidas em função das perceções de cada um ou do empolamento do que existe aqui ou ali".

Considerou, no entanto, que apesar do que tem sido feito, "não chega" e que é preciso continuar "ano após ano".

"É essencial assegurar estabilidade nas políticas porque senão recuamos no que alcançámos, ou porque a direita toma de novo o poder ou porque demos um passo maior do que a perna". E avisou: "até agora, cada passo foi feito com confiança de que o podíamos dar, gostávamos de fazer muito mais, mas não se pode fazer tudo ao mesmo tempo porque isso era não fazer nada de duradouro."