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Cristas desafia partidos a revogar imposto sobre combustíveis

Inácio Rosa/Lusa

Na semana em que o Parlamento vota as propostas para revogar o adicional do imposto sobre combustíveis, a líder do CDS volta a recuperar o tema

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, desafiou este sábado os partidos a revogar o adicional de imposto sobre os combustíveis, proposta que irá a votação final esta semana na Assembleia, acusando o Governo de ter criado um falso imposto neutro.

"Esta semana é a votação final e o que queremos é que seja revogado este adicional de imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP). Estamos a batalhar no Parlamento e no terreno, hoje, de norte a sul do país, contactando com as pessoas e explicando quanto é que estão a pôr de combustível e de imposto", disse Assunção Cristas.

A líder do CDS-PP falava aos jornalistas no final de uma ação que a levou a uma bomba de gasolina em São Domingos de Rana, freguesia de Carcavelos, no distrito de Lisboa.

A 21 de junho o projeto de lei para eliminar o adicional ao Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), foi aprovado na generalidade.

Segundo a líder centrista, as pessoas "têm noção de que pagam muito imposto", mas "não têm ideia da proporção" do mesmo. O CDS-PP munido com uma aplicação no telemóvel mostrava às pessoas que enchiam os depósitos com gasóleo ou gasolina a quantia que estavam a pagar de impostos, nomeadamente de IVA e de ISP.

"Sabemos que não podemos fazer a eliminação total do imposto, mas podemos eliminar a sobretaxa criada em 2016, já que foi uma promessa desde Governo que seria um imposto neutro para o bolso das pessoas", frisou.

Assunção Cristas lembrou ainda que o partido "fez contas" comparando os valores de 2016 e os atuais e, se agora alguém tiver de abastecer um automóvel com um deposito de 60 litros de combustível, no final de um ano, estará a pagar "quase mil euros se se estiver a falar de gasóleo e 650 euros se for gasolina".

"A proposta que fazemos está em linha com aquilo que estava previsto no Orçamento, entendemos que é possível do ponto de vista legal e constitucional. Se alguns partidos tiverem dúvidas que aprovem já com efeito a 1 de janeiro e teremos já uma medida que naturalmente será tida em conta quando o governo fizer os cálculos para o Orçamento de Estado.

De entre as simulações a que os jornalistas puderam assistir enquanto os automobilistas estavam a encher os seus depósitos constataram que em 36 litros de gasóleo, que custaram 50 euros, só de impostos foram 26,20 euros, repartidos 16,92 euros em ISP e 9,28 em IVA.

"Mais de metade da fatura que se paga é de impostos e se pudermos tirar aquele que está em excesso já se pode poupar alguma coisa", disse Assunção Cristas a um dos automobilistas, um jovem que revelou que 1/3 do seu ordenado é gasto em combustível, reconhecendo que "seria uma ajuda este imposto baixar".

O Governo socialista introduziu em 2016 o denominado adicional sobre a gasolina e o gasóleo, quando os preços do petróleo, que, entretanto, foram aumentando, atingiram níveis historicamente baixos, nomeadamente o barril de Brent.