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Obama alerta: não há muros suficientemente altos para travar pessoas com fome

Bill Pugliano/Getty

Ex-Presidente dos Estados Unidos afirmou que um dos fatores que provocou o conflito na Síria foi a “seca persistente que levou agricultores para as cidades”, alterando radicalmente a demografia e o poder político

O ex-Presidente dos EUA Barack Obama disse nesta sexta-feira que não há "muros altos o suficiente" para conter pessoas com fome, admitindo existir uma correlação entre as alterações climáticas e a migração de populações.

"Podemos ter a certeza que vamos ter movimentações em massa de pessoas em todo o mundo" como consequência das alterações climáticas que são um fator de risco para o "aumento dos conflitos", destacou o 44.º Presidente dos Estados Unidos da América durante a cimeira Climate Change Leadership, hoje no Porto.

Obama disse que um dos fatores que provocou o conflito na Síria foi a "seca persistente que levou agricultores para as cidades", alterando radicalmente a demografia e o poder político. "Acredito nos especialistas e na ciência. Sei que há quem não [acredite]", assinalou o ex-Presidente norte americano, destacando que "a solução não é rejeitar a ciência", mas encontrar um "compromisso cívico" comum.

Questionado sobre o papel dos media tradicionais na democracia e no combate às alterações climáticas, Obama relatou como nos EUA quem assiste à Fox News tem uma perceção da realidade diferente da de quem lê o New York Times, sendo essa "uma das razões da polarização política" no país. "A solução? Não tenho resposta. A internet tornou isto pior. É muito fácil escolher uma pessoa e dar-lhe informação falsa", indicou.

E acrescentou: "A solução será se os media tradicionais forem mais criativos e reconheçam o papel que têm na nossa liberdade. São protetores da nossa democracia e temos de encontrar meios para apoiar o jornalismo sério". "A democracia funciona se todos acreditarmos nos mesmo factos [mas] podemos interpretar esses factos de forma diferente", referiu

Obama deixou ainda uma palavra aos jovens sobre a necessidade de envolver as novas gerações para encontrar soluções, considerando que são "mais sofisticados e com mais preocupações climáticas".