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Bolseiros que viraram as costas a Costa abordam Marcelo: “Eu conheço o vosso problema”, disse o PR. E depois houve selfie

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Primeiro-ministro tinha sido recebido terça-feira com um protesto no encontro Ciência 2018, em Lisboa. Quando começou a discursar, os manifestantes levantaram-se e viraram-lhe as costas. Esta quarta-feira, o ministro da Ciência, Manuel Heitor, também foi interrompido. Marcelo Rebelo de Sousa, que foi abordado e confrontado com o problema dos cientistas, disse que é "injusto" os investigadores manterem-se em situação “duradouramente precária”

O Presidente da República foi abordado esta quarta-feira por bolseiros de investigação científica que participavam num protesto contra a precariedade laboral, o qual juntou uma centena de pessoas, e disse-lhes que esse "é um filme" que conhece bem.

Em frente ao Centro de Congressos de Lisboa, onde decorreu o encontro "Ciência 2018", os cerca de cem manifestantes formaram duas filas, aguardando a chegada de Marcelo Rebelo de Sousa, mas o chefe de Estado saiu do carro um pouco mais à frente.

Alguns deles dirigiram-se então a Marcelo Rebelo de Sousa e abordaram-no quando este caminhava para a entrada do edifício, entregando-lhe documentação sobre a situação como bolseiros de investigação científica em Portugal, enquanto ao fundo os outros manifestantes gritavam "contratos, sim, bolsas não".

"Boa tarde, senhor Presidente, nós somos bolseiros de investigação científica. Estamos há muitos anos a trabalhar como bolseiros de investigação e merecemos um contrato", queixaram-se.

"Então não sei. Eu sei, eu conheço o problema, como imaginam", foi a resposta do chefe de Estado, que continuou a andar até à porta do Centro de Congressos de Lisboa e que chegou mesmo a tirar uma selfie com uma das manifestantes.

Numa curta conversa, sempre em andamento, os bolseiros alegaram que "as instituições e a tutela estão a boicotar" a regularização da sua situação e pediram ao Presidente da República que, "dentro da sua magistratura", tente intervir.

Já no interior do edifício, enquanto subia as escadas, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: "É um filme que eu conheço bem".

Marcelo discursou sem ser interrompido, coisa que não foi possível ao ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor. À saída, o Presidente falou aos jornalistas, explicou a situação da contratação "versus" bolsas mas disse não concordar com o fim da autonomia universitária, isto é, que o Governo passasse a ter uma palavra final no regime de consolidação laboral das universidades. "A autonomia tem sido uma garantia da liberdade científica. No dia em que voltasse ao que era na ditadura, com o Estado a poder interferir na carreira em certas situações e administrativamente na vida interna nas universidades, voltava o perigo de interferência na liberdade académica, na liberdade de pensar, na liberdade de criar", disse Marcelo.

Garantindo que é "injusto" os investigadores manterem-se em situação "duradouramente precária", o Presidente da República disse que era preciso encontrar soluções legais, eventualmente fazendo o assunto regressar ao parlamento. Quanto à interrupção do discurso do ministro, Marcelo disse que esta forma mais "dura" de protesto corresponde "a uma preocupação acumulada no tempo por muitas pessoas" e que, por isso, "ganha uma densidade muito emocional".