Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Vieira da Silva está "absolutamente convicto" que geringonça vai continuar

O ministro do Trabalho e da Segurança Social fala, em entrevista ao "DN", das diferenças entre os partidos que suportam o Governo em matérias como a lei laboral, o salário mínimo ou as pensões. Assume que existem "dificuldades", mas que o caminho é para continuar

É um dos 'pesos pesados' do Governo de António Costa. José António Vieira da Silva vai, na próxima semana, enfrentar no Parlamento a discussão das alterações à lei laboral - aprovadas na Concertação Social - e que contam com a oposição de PCP, Bloco e Verdes. A geringonça quebrou nesta matéria, mas o ministro do Trabalho e Segurança Social não vê motivos para alarme.

"Muitas das medidas que fazem parte da legislação que vai a discussão foram previamente discutidas no grupo de trabalho que existiu entre o BE, o Governo e o PS e muitas das outras tiveram que ver também com posições conjuntas assumidas, nomeadamente com o PCP", disse o ministro num entrevista publicada na edição de hoje do Diário de Notícias.

As críticas de comunistas e bloquistas ao documento são publicas, tal como está assumido o voto contra daquelas bancadas à iniciativa do Governo. Mas, Vieira da Silva, não mostra receio quanto ao futuro do entendimento político à esquerda. "Nós queremos continuar com esta dinâmica e estou absolutamente convicto de que essa é também a opinião de todos os partidos", afirma. Não negando que "este caminho que percorremos, também do ponto de vista político, é um caminho que tem, obviamente, dificuldades", o ministro reconhece que "os bons resultados" que têm sido alcançados servem de cola à geringonça.

Além disso a possibilidade de uma crise política que levasse à antecipação das eleições Legislativas comporta riscos, mesmo para o PS, que Vieira da Silva não parece querer correr. "Os portugueses estão muito atentos à situação política, social e económica", diz, referindo-se ás recentes sondagens, que demonstram que "é muito difícil" levar o eleitorado a aceitar "a criação de crises numa ótica taticista". "Hoje, os eleitores são muito exigentes a esse respeito e estão à espera de que esta legislatura termine e termine nesta lógica de compromissos".

O ministro do Trabalho e da Segurança Social recusou-se ainda a falar sobre um eventual aumento do salário mínimo nacional acima dos 600 euros (como consta do programa do Governo e do acordo com a esquerda a partir de 2019), remetendo a discussão para a Concertação Social. Sobre a alteração do regime de reformas para as longas carreiras contributivas, Vieira da Silva fechou a porta à eliminação das penalizações para os pensionistas com 60 anos e 40 anos de descontos. A reivindicação feita pelo PCP é "insustentável do ponto de vista económico", diz o ministro que, no entanto, se comprometeu a "aprofundar" o dossiê da política de reformas antecipadas.

Finalmente, Vieira da Silva falou sobre o PSD de Rui Rio. Para dizer apenas que é "um dos muitos portugueses que ainda não perceberam muito bem que tipo de mudança a nova direção trouxe ao PSD". Admitiu, porém, que "a vontade para dialogar com os outros partidos, nomeadamente com o Governo e com o PS é bem maior".