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Oposição em bloco pede esclarecimentos a Medina sobre o caso Madonna

Do CDS, ao PSD, passando pelo PCP e pelo Bloco, que é parceiro de coligação de Fernando Medina, todos querem ouvir a justificação do autarca à cedência de terreno para instalação da frota automóvel da cantora

Miguel Cadete

Miguel Cadete

Diretor-Adjunto

Amanhã, segunda-feira, quando chegar ao seu gabinete, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, pode contar com vários pedidos de esclarecimento à sua espera. Endereçados por todos os partidos representados na autarquia, incluindo o Bloco de Esquerda, que é seu parceiro de Executivo camarário.

Ouvidos pelo Expresso, vereadores de todo o espectro político dizem querer perceber qual a justificação para a cedência de um terreno de 15 lugares de estacionamento, na Rua das Janelas Verdes, à cantora pop Madonna, sem que lhe esteja a ser correntemente cobrada qualquer renda - tal como noticiou o semanário este sábado. Nenhum diz ter conhecimento da situação.

Ricardo Robles, parceiro do executivo liderado por Fernando Medina, onde detém o pelouro da Educação e Direitos Sociais, garantiu ao Expresso não ter "nenhuma informação relativa a este caso". E refere que, “a confirmar-se a notícia, o BE pedirá esclarecimentos do motivo e em que moldes esta cedência foi feita”. Recorde-se que o vereador bloquista tem funções no Executivo Camarário, depois de um acordo político assinado entre o BE e o PS que permitiu contornar a vitória de Fernando Medina sem maioria absoluta. Sendo "estacionamento em Lisboa é escasso", como assume o responsável, "deve, por isso, ser regulado com responsabilidade".

Do lado do CDS, as palavras são mais duras: "Não podemos permitir que o presidente da Câmara de Lisboa use o património a seu belprazer”, diz o centrista João Gonçalves Pereira, vereador da oposição ao atual elenco autárquico. E acrescenta que vai pedir "esclarecimento por escrito, já amanhã, segunda-feira”, de forma a clarificar uma situação que deixou “Lisboa e o país estupefactos. O presidente não pode ceder estacionamentos em Lisboa pois a cidade é dos lisboetas não é de Fernando Medina”, refere o vereador.

“Quando um munícipe paga à cabeça por estacionar, quando a EMEL persegue os lisboetas… não se justifica que estes casos sejam decididos sem reunião de câmara e sem se dar cavaco a ninguém”. Relembre-se que o problema de estacionamento da equipa de Madonna – que desde o início do ano habita na Rua das Janelas Verdes – foi resolvido atribuindo-lhe um espaço no Palacete Pombal, nas imediações de sua casa, através de um “acordo verbal” e "precário", tal como também noticia este domingo o “Diário de Notícias”. O objetivo será o de "evitar perturbações e transtornos no trânsito local, numa artéria estreita mas bastante movimentada, que a entrada e saída de veículos das obras certamente traria para a zona. Findas as obras termina este acordo e será cobrada a verba correspondente", refere o gabinete de Medina, na nota enviada.

“Vamos pedir esclarecimentos pois a justificação do presidente da Câmara é frouxa, legal e politicamente”, adianta o vereador centrista. “Queremos saber que tipo de acordo existe porque isto viola claramente o princípio da igualdade”, diz, deixando claro que Madonna é excelente para projetar o nome do país e da capital “lá fora”.

Também o PSD pede explicações sobre este caso e "gostaria de saber a razão para o presidente da Câmara ter autorizado tal exceção". As declarações são de Teresa Leal Coelho, vereadora social democrata na autarquia lisboeta. Ao Expresso, a deputada e vereadora assume que, tal como outros membros da autarquia, também "desconhecia a situação" e que o assunto nunca foi abordado pelos responsáveis camarários.

Do lado do PCP também já há reações. Fonte do gabinete da vereação comunista na câmara de Lisboa, liderado por João Ferreira, diz ao Expresso que também vai fazer seguir "um requerimento para apurar em que termos foi feita a cedência de terreno". Além disso, irá pedir informações "sobre se houve situações anteriores idênticas" e, no caso de terem ocorrido, "quais as justificações". "Queremos saber como é que foram acautelados os interesses da autarquia nessas situações", refere a mesma fonte.