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Política

Marques Mendes: vontade de Costa de suceder ou não a Marcelo decidirá futura aliança de Governo

Para o ex-líder do PSD, Costa tomará decisões sobre o próximo Governo dependendo da sua vontade de chegar a Belém em 2026. Já a ideia de tentar a maioria absoluta é “incendiária” para os parceiros de esquerda, que se sentem como “mulheres ou maridos enganados”

Marques Mendes lançou este domingo, no seu espaço de comentário na SIC, a ideia de que os próximos acordos para formar Governo dependem dos planos de Costa. É que o primeiro-ministro poderá querer suceder a Marcelo na presidência da República no fim de um segundo mandato, em 2026, e para isso não deverá "hostilizar BE e PCP" para ser o candidato da esquerda; caso contrário, poderá "estar mais desperto para um Governo tipo bloco central".

O comentador falava das relações entre o Governo e a esquerda numa altura em que as negociações com os professores, a legislação laboral e a lei de bases da Saúde são motivos para tensão e a discussão do próximo Orçamento do Estado se aproxima a passos largos. Marques Mendes não acredita que venha aí uma crise política ou que haja o perigo de o OE não ser aprovado por BE e PCP, mas, com a proximidade das eleições, os partidos devem "fazer prova de vida". Já a "ideia de [Costa] tentar uma maioria absoluta é incendiária dentro da geringonça" e faria dos parceiros, mesmo que continuassem a apoiar o Governo, uma "flor na lapela, idiotas úteis", pelo que prevê que a tensão na geringonça ainda venha a agravar-se.

Outro problema no horizonte da esquerda é a postura de Rui Rio, defende Marques Mendes. É que se Passos funcionava como "uma espécie de cimento na geringonça", acabando por dar à esquerda motivos para se unir, Rio negoceia com o Governo — e Mendes acredita que "no íntimo de António Costa e Rui Rio [há a ideia] de poderem entender-se", caso nenhum tenha maioria absoluta. "BE e PCP comportam-se, perante isto, como maridos ou mulheres enganadas". O ideal para Costa seria tentar já governar sozinho, arrisca Mendes: "O PS e António Costa, se pudessem, tinham já eleições amanhã" — mas nenhum dos partidos da esquerda, PS incluído, quer ficar com o ónus de provocar uma crise política.

Já quanto a Rui Rio, que tinha criticado na semana passada por funcionar como uma "muleta do Governo" e não apresentar propostas alternativas, Mendes teve elogios. Afinal, o líder do PSD apresentou esta semana o seu pacote de medidas para a natalidade, que a Mendes parece "uma boa iniciativa política" — "se continuar assim, chapeau!" — e o "colmatar de uma lacuna", respondendo a um problema de fundo com uma proposta "com cabeça, tronco e membros, muito social-democrata".