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Marques Mendes: “O ministro da Educação é um erro de casting”

No habitual comentário na SIC, o antigo líder do PSD defendeu a criação de um novo estatuto para as carreiras dos professores. E culpou o Governo pelas reivindicações dos docentes: “É vítima do seu próprio discurso”

Para Marques Mendes, o Governo — e em particular o ministro da Educação — é responsável pelo clima de tensão que se faz sentir com os professores. É que, depois de ter deixado no Orçamento do Estado uma norma "ambígua" que promete a contagem dos anos de serviço congelados, o Executivo "criou condições para que fizessem estas reivindicações" e é agora "vítima do seu próprio discurso".

No habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes defendeu mesmo que o atual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, "não acerta uma" e é "um erro de casting". Já o primeiro-ministro, "perante os problemas, empurra com a barriga" e o Governo acaba por falar da questão dos professores como "uma orquestra sem maestro". Por isso, e perante um "clima de facilidade" criado pelo próprio Executivo — o do fim da austeridade e de virar da página — o Governo está agora a "pagar a fatura" pelas expectativas que criou, acredita o comentador.

Se, por um lado, os professores exigem a contagem integral dos nove anos e dois meses de serviço que ficaram congelados e não contaram para a progressão nas carreiras, por outro o Governo oferece, no máximo, a reposição de dois anos e nove meses, tendo o ministro da Educação chegado esta semana a ameaçar retirar essa proposta de cima da mesa. Para Marques Mendes, e graças ao "clima de expectativas" que o Governo criou, é "compreensível" a posição dos sindicatos, embora chegue a ser "imoral": "Ninguém recuperou por inteiro depois da crise. É difícil de compreender", assumiu.

Para Marques Mendes, "já não há uma boa solução" para o problema — o Governo deve agora escolher "entre um mal maior e menor". Isto porque, se ceder à reivindicação dos docentes, "perde todo o respeito e credibilidade"; se o fizer de forma parcial, "abre um precedente para outros grupos especiais", como os militares e os polícias; e se não chega a acordo "vai ter um problema em termos eleitorais".

Já o antigo líder do PSD acredita que seria sensato discutir e aprovar um novo estatuto para a carreira docente que não garanta progressões automáticas em função do tempo de serviço, para "introduzir justiça", embora este não se deva aplicar aos professores que estão no ativo neste momento, limitando-se aos docentes que iniciarem entretanto as suas carreiras.