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Assis: "Não estou indisponível para as Europeias"

O cabeça de lista de 2014 mantém a porta aberta para se recandidatar ao Parlamento Europeu. Mas ainda não tem qualquer sinal de António Costa. E ainda tem meses para pensar

Vítor Matos

Vítor Matos

Entrevista

Editor de política

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Imagem e edição

Jornalista

As eleições Europeias estão marcadas exatamente para daqui a um ano. Francisco Assis, em entrevista ao Expresso no Congresso do PS (pode ver o vídeo), mantém a porta aberta a uma recandidatura como cabeça de lista às eleições para o Parlamento Europeu, o primeiro teste ao PS no próximo ciclo eleitoral. "Não estou indisponível, o que é diferente de estar disponível", afirma o eurodeputado.

"A disponibilidade depende de vários fatores", alega. "Primeiro, da disponibilidade própria, uma coisa que ainda não ponderei: ainda falta um ano. Na vida, há muitas coisas que o correm longo de um ano".

O segundo fator "depende do PS, da direção, saber quem está em melhores condições", admite um dos poucos críticos audíveis da solução da 'geringonça'. "Não tenho nada a ver com isso e respeitarei qualquer decisão do secretário-geral". É preciso, portanto, um contacto ou um convite: "É preciso que estas duas vontades se encontrem e é preciso que estas duas vontades se formulem. Nem a minha está formulada definitivamente, nem a vontade da direção do partido".

Sobre o posicionamento de Pedro Nuno Santos à esquerda, Francisco Assis acredita que, quando um dia o atual secretário de Estado avançar para a liderança, terá adversários da chamada ala moderada: "Falta muito tempo para isso. Há muitas pessoas, não vou enunciar nenhum nome. Tenho a certeza que no PS há duas linhas nessa matéria. Uma linha que entende que o PS deve favorecer permanentemente entendimentos à esquerda (hoje a grande figura nessa linha é o Pedro Nuno Santos), e há outra linha que entende que o PS deve preservar a sua autonomia estratégica".

Apesar de no PS ter acabado o silêncio oficial sobre o caso Sócrates, Francisco Assis diz ter dificuldade em fazer juízos por ter tido uma relação próxima com o ex-secretário-geral. Prefere a formulação tradicional sobre o trabalho da justiça. Mas perante a questão política sobre se um ex-primeiro-ministro devia viver à custa de um amigo que tinha milhões, responde não respondendo: "Não quero entrar nesse assunto, mas imagina o que penso. Mas seria estar a bater numa pessoa especialmente debilitada".

Em relação aos casos do ministro Siza Vieira, desculpa o lapso na declaração de rendimentos e interesses, mas revela mais dúvidas sobre a reunião com os accionistas da EDP que eram clientes do seu escritório: "Ele já veio esclarecer, mas essas coisas devem ser evitadas porque geram suspeitas na sociedade". Assis não se atreve a dizer que o ministro está fragilizado, mas "depende da evolução do processo".