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Política

Cavaco diz que legalização da eutanásia “é a decisão mais grave que o Parlamento pode tomar”

António Pedro Ferreira

Ex-presidente da República diz que a decisão que o Parlamento tomar na próxima terça-feira vai condicionar o seu voto nas legislativas de 2019

O antigo Presidente da República Cavaco Silva considerou a legalização da eutanásia "a decisão mais grave" para a sociedade portuguesa que o parlamento pode tomar, apelando a que nas próximas eleições não se vote nos partidos que forem favoráveis.

Em declarações à Rádio Renascença, Cavaco Silva explicou que, como na sua opinião está "em causa a defesa e a dignidade da vida humana", entende que "devia fazer uso das duas armas" que lhe restam como cidadão: a sua voz e o seu direito de voto nas próximas eleições legislativas.

"Considero a legalização da eutanásia a decisão mais grave para a sociedade portuguesa que a Assembleia da República pode tomar", criticou. "Como cidadão sem responsabilidades políticas", o antigo chefe de Estado considera que aquilo que pode fazer para manifestar a sua discordância com a despenalização da morte medicamente assistida é utilizar o "direito de voto contra aqueles que votarem a favor da eutanásia".

"Nas eleições legislativas de 2019 não votar nos partidos que apoiarem a legalização da eutanásia e procurar explicar àqueles que me são próximos para fazerem a mesma coisa. Trata-se de uma votação com tais consequências para a sociedade portuguesa que, como eleitor, em 2019, eu não me posso esquecer daquilo que os deputados fizerem agora", disse.

Cavaco Silva questiona como podem "os atuais deputados votar a favor da legalização da eutanásia quando nas eleições de 2015 os eleitores não lhe concederam um mandato para isso".

O que está em causa, de acordo com o antigo Presidente da República, "é a vida humana", questionando "como podem os deputados ignorar" o parecer dos profissionais de saúde, o parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e a posição das várias religiões em que os portugueses se reveem.

"Cada português deve pensar o que é que significa uma pessoa, um médico, ser autorizado por lei da Assembleia da República a matar uma outra pessoa. Se tal acontecer a nossa sociedade está a quebrar uma barreira e a dar um salto no desconhecido muito, muito perigoso", avisou.
Os quatros projetos de lei para despenalizar e regular a morte medicamente assistida em Portugal vão ser debatidos e votados, na generalidade, na terça-feira na Assembleia da República.

Nas bancadas do PSD e do PS, que no total somam 175 dos 230 deputados, haverá liberdade de voto.

O partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) foi o primeiro a apresentar um projeto, ainda em 2017, seguido pelo BE, pelo PS e o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV).

Todos os diplomas preveem que só podem pedir, através de um médico, a morte medicamente assistida pessoas maiores de 18 anos, sem problemas ou doenças mentais, em situação de sofrimento e com doença incurável, sendo necessário confirmar várias vezes essa vontade.