Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Responsáveis de oito religiões tomam posição conjunta contra a eutanásia

A recusa da eutanásia - "em circunstância alguma" - motivou uma posição interreligiosa conjunta, que será entregue a Marcelo Rebelo de Sousa. Representantes das comunidades islâmica, judaica, budista, hindu e bahai, assim como das igrejas cristãs (católicas, ortodoxa, evangélicas e adventistas) reuniram-se em Lisboa para um não rotundo às propostas que a 29 de maio vão a votos no Parlamento.

Uma conferência interreligiosa decorreu esta quarta-feira na Academia das Ciências de Lisboa e produziu um documento conjunto de protesto contra os projetos de legalização da eutanásia, que serão discutidos dentro de duas semanas no Parlamento. Os participantes sublinham que as diversas tradições religiosas têm “uma mensagem sobre a vida e sobre a morte do homem que muito tem contribuído para a cultura e para a organização das sociedades ao longo dos séculos”. A tomada de posição destina-se ao Presidente da República, num momento em que os movimentos religiosos assumem o combate às iniciativas legislativas propostas por Bloco de Esquerda e PS e convocaram duas manifestações a decorrer em Lisboa.

A conferência foi promovida pelo Grupo de Trabalho Religiões/Saúde, que engloba as comunidades Islâmica, Israelita, Budista, Hindu e Bahai, as Igrejas Adventista, Ortodoxa e Católica, a Aliança Evangélica e o Conselho Português de Igrejas Cristãs. Os representantes das várias religiões apresentaram uma declaração individual com os fundamentos da sua posição contra a eutanásia que, sublinha, não poderá ser praticada "em circunstância alguma. No final do encontro, uma mesa-redonda com participantes das várias religiões presentes contou com a participação do cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

O coordenador nacional das capelanias hospitalares, padre Fernando Sampaio, frisou nos trabalhos que as diversas tradições religiosas têm uma palavra a dizer “sobre a vida e sobre a morte”, como cidadãos empenhados socialmente. “A eutanásia não elimina o sofrimento, elimina a vida da pessoa que sofre”, assinalou o sacerdote, citado pela agência Ecclesia..
A conferência surge na reta final da discussão parlamentar dos projetos sobre a eutanásia, marcada para 29 de maio. Para o mesmo dia está convocada uma manifestação de vários movimentos contrários à legalização da morte assistida, como a Federação Portuguesa pela Vida. A 24 de maio, o ‘Stop Eutanásia’ promove a manifestação ‘Os Portugueses Não querem a eutanásia’, às 12h30, diante do Palácio de São Bento.