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Encontro entre Marcelo e Trump falhou. Para já

MARIO CRUZ/ LUSA

Chegou a ser pensado no âmbito das comemorações do 10 de Junho nos EUA. Mas Trump voa para Singapura, onde a 12 se reúne com o Presidente norte-coreano. O encontro de Marcelo com Donald Trump, para já, sai do mapa

As comemorações do 10 de Junho, que este ano vão ser repartidas entre os Açores e os Estados Unidos, chegaram a ser pensadas para proporcionar um encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e Donald Trump, mas a agenda do Presidente norte-americano não vai permitir.

A 12 de junho, Trump estará em Singapura para uma cimeira histórica com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. E o programa do Presidente português nos EUA, que chegou a ter em 'stand by' uma ida a Washington, precisamente a 12, deverá prescindir desta deslocação. Embora o programa final ainda não esteja fechado, fonte oficial admitiu ao Expresso que Marcelo Rebelo de Sousa poderá regressar a Lisboa no dia 11.

O ponto alto das comemorações do Dia de Portugal será a 10, em Boston, num encontro com a comunidade portuguesa, que contará com a presença de Marcelo e de António Costa. A 11, separam-se: o primeiro-ministro segue para a Califórnia, com um programa mais económico, e o Presidente da República mantém-se na costa leste.

O PR poderá visitar a Universidade de Brown, onde leciona o catedrático Onésimo Teotónio Pereira, que foi escolhido pelo Presidente da República para comissário das comemorações. A dúvida é se Marcelo decide manter uma deslocação a Washington mesmo estando afastada a hipótese de se encontrar com Donald Trump, ou se prescinde dela.

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, afirmou recentemente, por ocasião da visita a Lisboa de um grupo de congressistas norte-americanos luso-descendentes, que 2018 será "um ano-chave nas relações Portugal/EUA" e confirmou que estavam a decorrer conversas com vista a encontros "ao mais alto nível".

O ministro irá, ele próprio, a Washington no fim do mês de junho para encerrar uma reunião de políticos luso-descendentes. E deverá aproveitar para contactos com responsáveis da Administração Trump. Assuntos de interesse bilateral não faltam, a começar pelas negociações sobre as bases das Lages no âmbito da nova estratégia militar do Pentágono.

Para já, um encontro entre os presidentes dos dois países está fora do mapa. A agenda de Trump, com a situação internacional instável e atribulada, não facilita.

Entre os dois Presidentes, há divergências notórias nomeadamente no que toca ao Médio Oriente. Na recente visita que fez ao Egito, Marcelo Rebelo de Sousa deixou uma mensagem de tolerância e combate aos extremismos. E quando questionado sobre a criação de um Estado palestiniano, Marcelo não só defendeu a coexistência de dois Estados como garantiu que Portugal, ao contrário dos EUA da era Trump, "não mudará a sua embaixada para Jerusalém".