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Política

Negrão discorda de Rio e contesta fim dos cortes salariais nos gabinetes dos políticos

José Caria

Líder parlamentar admite que pensa “de forma diferente” do presidente do partido e que “discorda profundamente” do fim aos cortes salariais de 5%

O líder parlamentar do PSD vê "com preocupação" a pretensão do Governo de pôr fim aos cortes salariais de 5% nos gabinetes dos políticos, depois de o presidente do partido ter manifestado a sua concordância de princípio com a medida.

"Eu vejo isso com preocupação, a despesa pública é que deve estar controlada, o primeiro a dar o exemplo deve ser o Governo, e portanto discordamos profundamente dessa medida. O Governo nos últimos anos funcionou com esse corte, podia continuar a funcionar assim", defendeu esta quinta-feira Fernando Negrão, questionado pelos jornalistas no final da reunião do grupo parlamentar do PSD sobre a notícia desta manhã do jornal Público.

Confrontado com declarações do presidente do partido, Rui Rio, poucos minutos antes num sentido oposto, Negrão admitiu que pensa "de forma diferente".

Sobre o mesmo tema, Rio tinha afirmado pouco antes, numa iniciativa na sede do partido, que decorreu ao mesmo tempo que a reunião do grupo parlamentar: "Se a política do Governo for acabar com todos os cortes no tempo da troika, não tenho nada a opor a que se acabem com todos os cortes mesmo".

O jornal "Público" noticia esta quinta-feira que o Governo fez um decreto preliminar que estabelece que "a redução de vencimento prevista na Lei 47/2010, de 7 de setembro, na sua redação atual, é progressivamente eliminada", até 2019.

Segundo o matutino, a partir de janeiro os funcionários dos gabinetes dos membros do Governo (incluindo os governos regionais), de apoio pessoal dos presidentes e dos vereadores das câmaras municipais, presidente da Assembleia da República, do primeiro-ministro e do secretário-geral do Parlamento vão reaver 5% do seu salário que tinha sido cortado em 2010.

Rio disse não ter sido informado previamente pelo Governo sobre esta pretensão e escusou-se a fazer mais comentários para não dispersar a atenção do tema que escolheu para esta semana, a saúde.