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Fernando Negrão e António Costa trocam acusações sobre obras no Hospital de São João

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O líder parlamentar do PSD questionou o primeiro-ministro por que não aceita verbas de mecenas para avançar já com as obras no Hospital de São João

O PSD questionou esta terça-feira o primeiro-ministro por que não aceita verbas de mecenas para avançar já com as obras no Hospital de São João, com António Costa a acusar os sociais-democratas de fugirem das suas responsabilidades.

No debate quinzenal na Assembleia da República, o líder parlamentar do PSD questionou António Costa sobre as obras na ala pediátrica do Hospital de São João, que o ministro da Saúde tinha anunciado hoje ficarem concluídas dentro de dois anos.

"Tem à sua disposição 20 milhões de dinheiros de mecenas, a pergunta é porque é que vai gastar 22 milhões de euros de dinheiros públicos?", questionou Fernando Negrão, defendendo que as verbas reunidas pela associação "Um Lugar para o Joãozinho" permitiriam começar a obra "dentro de semanas".

Na resposta, o primeiro-ministro, considerou que "o essencial é que se resolva agora o que durante dez anos esteve por resolver". "Acho extraordinário que há uma semana o Governo tenha sido acusado por a obra estar parada, por o Governo não investir, e agora nos venha censurar por querermos investir, em vez de aguardar que os mecenas venham fazer essa obra", afirmou António Costa, pedindo ao PSD que "fixe a sua posição" sobre o tema.

"Nós assumimos as nossas responsabilidades, lamento que não assumam as vossas. Temos uma enorme vantagem: nós vamos fazer, os senhores não fizeram e já não vão fazer", acrescentou.

Fernando Negrão classificou como "uma discussão inútil" o debate sobre de quem é a culpa, mas lembrou que nos últimos dez anos houve três governos e dois eram foram do PS.

Ainda sobre o mesmo tema, o primeiro-ministro citou o comentador político e ex-líder social-democrata Marques Mendes para salientar que um problema que está por resolver "há dez anos" e que envolve um tema tão sensível como crianças com problemas oncológicos devia envergonhar todos os políticos, sobretudo do PS e PSD, que partilharam responsabilidades no Governo nesse período.

"Quem trouxe o tema para este debate não fui eu e o que disse não foi empurrar culpas, foi assumir a nossa responsabilidade: nós vamos fazer aquilo que não foi feito", assegurou António Costa.

Ainda na área da saúde, o líder parlamentar do PSD voltou a pedir, como tinha feito há 15 dias, que o Governo entregue ao parlamento o estudo sobre aumento dos tempos de resposta do INEM e questionou António Costa sobre a construção de uma maternidade única em Coimbra, que disse ter sido prometida pelo ministro da Saúde no final de 2016.

"Nada avançou e, curiosamente, lendo o Programa de Estabilidade, a nova maternidade de Coimbra não consta da lista de investimentos estratégicos da saúde entre 2018-2022. O que mudou e porque mudou?", questionou Negrão.

Sem ter resposta do primeiro-ministro e tendo esgotado o seu tempo, Negrão fez uma interpelação à mesa da Assembleia da República pedindo a António Costa, que ainda dispunha de quase 3 minutos, que lhe cedesse 30 segundos. "Nós costumamos gerir bem também o nosso tempo e é com gosto que cedo ao PSD", acedeu António Costa.

Depois de repetidas as perguntas sobre o INEM e a maternidade única de Coimbra, o primeiro-ministro informou Fernando Negrão que o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, entregará o relatório sobre a resposta a pedidos de socorro dentro de 15 dias e irá na quinta-feira a Coimbra discutir o calendário de execução da obra da maternidade.

O debate entre Negrão e Costa começou com uma troca de argumentos sobre os números do Programa de Estabilidade, com o líder parlamentar do PSD a dizer que "nem tudo são rosas" e a lamentar que "os portugueses paguem cada vez mais impostos e tenham piores serviços".

Negrão invocou dados divulgados na terça-feira pelo Conselho das Finanças Públicos, dizendo que "as cativações feitas por este Governo no ano passado estão ao nível do Governo anterior e bateram o recorde em 2016".

O líder parlamentar do PSD criticou ainda "reduções drásticas" no investimento público e o facto de a carga fiscal ter sido "a mais alta desde 1995". "Acha sério continuar a dizer aos portugueses que já não vivemos em austeridade?", questionou.

O primeiro-ministro contestou estes argumentos, salientando que o aumento da receita fiscal se deve, não à criação de qualquer imposto, mas a "boas razões", o crescimento da economia e do emprego.