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Política

CDS defende que Costa “virou o disco” mas a música de austeridade é “rigorosamente a mesma”

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Em resposta a Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP, António Costa insistiu que o aumento do crescimento económico e do emprego geraram mais receitas e contribuições para a Segurança Social

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, defendeu esta quarta-feira que o primeiro-ministro "virou o disco" mas a música da austeridade é "rigorosamente a mesma", com a diferença que António Costa governa sem 'troika'.

"Garantiu que ia virar a página da austeridade mas, na verdade, o senhor primeiro-ministro apenas virou o disco, porque a música - leia-se, austeridade -, é rigorosamente a mesma. Com uma diferença ou duas: é que é sem 'troika', ao contrário da outra austeridade, e é ao contrário do que o senhor prometeu e hoje ainda enunciou", defendeu Nuno Magalhães.

O presidente da bancada centrista dirigia-se ao primeiro-ministro durante o debate quinzenal no parlamento, centrando-se nas opções do Programa de Estabilidade e reiterando que o executivo fez o maior aumento da carga fiscal e das contribuições desde que há registos.

Na resposta, António Costa insistiu que o aumento do crescimento económico e do emprego geraram mais receitas e contribuições para a Segurança Social.

Perante a insistência do primeiro-ministro de que os resultados se devem a "emprego, emprego, emprego", Nuno Magalhães replicou que se devem, antes, a "impostos indiretos, impostos indiretos, impostos indiretos", em particular, "o imposto sobre produtos petrolíferos, que afeta todos os portugueses".

"Portugal é um dos países onde o peso dos impostos é maior na União Europeia. Em cada 10 euros que um português paga, seis são para o ministro das Finanças", declarou, apontando que "só em 2017, o Governo arrecadou 75,4 mil milhões de euros em impostos e contribuições sociais".

Sobre o programa de estabilidade, Nuno Magalhães disse ser um "documento dá uma visão de um Governo que, entre gerir o equilíbrio de poder que tem de fazer, e dar maior alívio fiscal aos portugueses, maior competitividade às empresas, melhor qualidade nos serviços públicos, prefere contentar os parceiros da coligação".

O primeiro-ministro sugeriu ao líder parlamentar do CDS que pergunte aos cidadãos, podendo começar pelos corredores da Assembleia da República, indagando se os funcionários têm "mais ou menos rendimento do que há dois anos e meio", que estendeu aos pensionistas, aos portugueses que pagavam sobretaxa, e aos profissionais da restauração.

Nuno Magalhães insistiu também que António Costa dê uma data para as obras no Hospital de São João avançarem, tendo o chefe de executivo adiantado que, tal como afirmou o ministro da Saúde, será anunciado um calendário para essa intervenção dentro de duas semanas. "Os senhores quando têm um problema ou está por dias, ou vão anunciar que vão anunciar", ironizou Nuno Magalhães.