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Santos Silva lança aviso: “O Governo é do PS e é do PS o seu programa”

luís barra

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, o PS e os partidos à esquerda “podem orgulhar-se dos resultados obtidos” nos últimos anos. Mas o “PS tem uma razão própria para se orgulhar, porque é quem lidera a atual situação política”

O congresso do PS irá acontecer daqui a um mês e já há quem, dentro do Governo, pense nas eleições legislativas para 2019 e no caminho a seguir. Esta terça-feira, Augusto Santos Silva, ministro do Negócios Estrangeiros, deixa um aviso aos partidos de esquerda parceiros na geringonça, num texto de opinião publicado no “Público”.

“O Governo é do PS e é do PS o seu programa. Houve que fazer ajustamentos (quanto à legislação eleitoral e quanto às propostas relativas à contribuição social, designadamente), que ficaram plasmados nos acordos [à esquerda] celebrados. Estes mostraram, aliás, uma convergência programática que só a miopia do “arco da governação” impedia de ver. Mas a matriz é, evidentemente, do PS. (...) As duas grandes referências deste Governo – o europeísmo e o gradualismo – são as marcas genéticas do PS”, escreve Santos Silva.

Segundo o ministro, o PS e os partidos à esquerda “podem orgulhar-se dos resultados obtidos” nos últimos anos. Mas o “PS tem uma razão própria para se orgulhar, porque é quem lidera a atual situação política, é ele que forma o Governo, é a sua estratégia programática que está a ser concretizada”, sublinhou.

“Não desvalorizo nenhum partido parlamentar. Cada qual tem a sua identidade e autonomia e todos são indispensáveis à democracia. Apenas digo que só o PS me parece combinar os cinco elementos fundamentais de que carece o nosso próximo futuro: o aumento do emprego e do rendimento das famílias; a modernização da economia, das infraestruturas e do Estado; a redução das desigualdades e o fomento da coesão social; a disciplina financeira e orçamental; e uma política pró-europeia e pró-atlântica. Por isso respondo aos muitos que vão perguntando o que deve fazer agora o PS: o PS deve prosseguir o seu caminho”, sustenta.

No mesmo texto de opinião o ministro faz questão de referir que decidiu dar o seu contributo para a preparação do congresso do PS, escrevendo na sua “capacidade partidária e não na governamental”.

De acordo com Santos Silva, o PS orgulha-se do que vem fazendo. Na sequência de “resultados eleitorais complexos”, conseguiu estabelecer uma “governação sólida” e uma alternativa eficaz à política “para além da troika”, praticada pela direita.

“Esta solução de um Governo minoritário socialista apoiado pela maioria parlamentar formada com o BE, o PCP e o PEV quebrou um tabu e, sem que nenhum partido perdesse identidade, alargou as possibilidades de garantir alternância com estabilidade”, conclui.