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Costa: “projeções otimistas” do FMI não se devem “aos astros”

ALEXANDRE RIBEIRO / Lusa

Fundo está mais otimista que o Governo na projeção para o crescimento da economia portuguesa este ano

Lusa

O primeiro-ministro defendeu esta terça-feira que as "projeções otimistas" do FMI para o crescimento económico de Portugal "não se devem aos astros" mas à capacidade de trabalho e iniciativa dos industriais portugueses e à "excelência dos recursos humanos".

"Não deixa de ser significativo, mas por razões que não se devem aos astros mas por razões que se devem à capacidade de trabalho e iniciativa dos nossos industriais, excelência dos nossos recursos humanos que faz atrair para Portugal investimento estrangeiro que seguramente há alguns anos não viria procurar Portugal", salientou António Costa, em Guimarães, à margem da apresentação de uma plataforma de vendas online que agrega cerca de 10 marcas de calçado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu esta terça-feira em alta a estimativa de crescimento da economia portuguesa deste ano para 2,4%, uma previsão que fica ligeiramente acima do estimado pelo Governo, que prevê que a economia portuguesa cresça 2,3% no conjunto deste ano, segundo o Programa de Estabilidade 2018-2022 entregue na sexta-feira à Assembleia da República.

"Assentam [as projeções do FMI] naquilo que é a realidade da economia portuguesa. Podemos ver hoje a indústria do calçado a abrir esta nova plataforma online, o facto de termos assistidos ainda há pouco na BIAL à inauguração de um novo laboratório, de investidores internacionais como a Volkswagen terem anunciado que vão abrir em Portugal um centro de desenvolvimento do seu software", referiu António Costa.

Para Costa, as previsões do FMI "são boas notícias" num dia que o primeiro-ministro afirmou ter simbolismo para Portugal: "Queria dizer que este é um dia importante e particularmente simbólico para a economia portuguesa, é simbólico porque o FMI veio apresentar projeções das nossa economia mais otimistas até do que um governo que é habitualmente tido por bastante otimista", apontou.

No entanto, para o próximo ano o FMI mostra-se menos otimista do que o executivo liderado por António Costa, mantendo a estimativa de crescimento do PIB em 1,8%.

Por outro lado, o Fundo está mais otimista do que o Governo no que diz respeito à redução do desemprego, estimando que fique abaixo dos 7% já em 2019, um ano mais cedo.

No 'World Economic Outlook' (WEO), o FMI prevê que a taxa de desemprego desça para 7,3% este ano e para 6,7% no próximo.

O Governo, por sua vez, antecipa que a taxa de desemprego se reduza para 7,6% este ano e para 7,2% no próximo, descendo para 6,8% em 2020, para 6,5% em 2021 e para 6,3% em 2022.
Ao contrário do executivo, o FMI estima que saldo da balança corrente se deteriore, representando um excedente de 0,2% do PIB este ano e um défice de 0,1% do PIB em 2019.
No Programa de Estabilidade, prevê-se que o excedente da balança corrente cresça para 0,7% do PIB este ano, mantendo-se nesse valor até 2020 e reduzindo-se até 0,4% do PIB em 2022.

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