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“Senhor Presidente, bem-vindo a sua casa”: Felipe VI falou em português para Marcelo

Garantias de amizade e fraternidade abundaram nos brindes que os chefes de Estado fizeram esta noite. Marcelo está de visita a Espanha e quer que esta sirva para reforçar as relações entre os dois países. “Para trás ficaram os tempos em que virámos as costas”

"Senhor Presidente, bem-vindo a sua casa". As palavras não terão sido pronunciadas num português perfeito, porque quem as proferiu foi o rei Felipe VI, de Espanha. Mas foram dirigidas a Marcelo Rebelo de Sousa e acompanhadas por muitas garantias de amizade e boas relações entre os dois países e, por vezes, até a um nível mais pessoal entre os dois chefes de Estado.

A frase em português do rei de Espanha fez parte do brinde que este dedicou a Marcelo, no princípio do jantar de gala que ofereceu em honra do Presidente. Durante o seu discurso, Felipe disse recordar "de forma especial, todos os encontros" que teve com Marcelo desde que o Presidente português tomou posse. Tudo graças ao "sincero sentimento de amizade, de fraternidade e afeto", somado ao "vínculo de confiança pessoal" que Felipe agradeceu "de coração" a Marcelo. Sentimentos, aliás, "partilhados" pela rainha Letizia - "sabe-o bem, senhor Presidente".

Nem sempre foi tudo um mar de rosas entre Espanha e Portugal, reconheceu o rei, sublinhando o "grau de excelência" que as relações atingem agora. "Para trás ficaram os tempos em que nos virámos as costas, e hoje damos as mãos e caminhamos juntos". Por entre os vários pontos que unem os dois países, o rei escolheu destacar que ambos sofreram "crises económicas" das quais retiraram "lições importantes", como "nunca deixar para trás os mais vulneráveis" e "aproveitar o crescimento económico para diminuir as desigualdades sociais".

Do lado de Marcelo, que à chegada a Macrid, no domingo, disse que já não há "ciúmes" e "complexos" entre Portugal e Espanha, também se recordou um passado menos cor de rosa, de "permanente dúvida, para não dizer angústia", "por vezes, ocultando por detrás de aparentes convergências, efetivas desconfianças recíprocas, quando não mera indiferença".Tudo mudou graças a dois fatores, assegurou Marcelo: a democracia e a entrada dos dois países na União Europeia, que "obrigaram a reler o tempo anterior e a superar dúvidas e angústias e a entender que a História não se reescreve, nem se recria".

E o que resta agora? Para o chefe de Estado português, que também disse algumas palavras em castelhano, "laços de aliança e fraternidade" somados a uma "admiração e amizade pelo rei", a quem teceu elogios. Prova disso, aliás, foi a "solidariedade" demonstrada por Espanha na altura dos fogos de Pedrógão ou a retribuição portuguesa em agosto, no atentado que vitimou 15 pessoas em Barcelona, na zona das Ramblas (incluindo duas portuguesas).

Os dois chefes de Estado jantam esta segunda-feira juntos no Palácio Real de Madrid, com a companhia também da rainha Letizia e de líderes políticos como o primeiro-ministro Mariano Rajoy, o líder do partido Ciudadanos, Albert Rivera, e o dos socialistas do PSOE, Pedro Sánchez.

Não é o primeiro encontro de Marcelo e Felipe nesta visita: na manhã desta segunda-feira, o Presidente foi recebido pelo rei no Palácio Real e depois no Palácio da Zarzuela (residência oficial da família real espanhola), onde almoçaram juntos e tiveram uma audiência privada. Na terça-feira, segundo e penúltimo dia de visita, será a vez de Marcelo se encontrar e almoçar com Rajoy, falando depois no Parlamento espanhol, mas terminando de novo o dia ao lado do rei, desta vez numa receção oferecida pelo Presidente no Palácio do Pardo, onde está instalado.

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