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Marcelo fala em “nova fase na relação entre Portugal e Espanha”: “Nenhum dos dois tem complexos de inferioridade”

TIAGO PETINGA / Lusa

À chegada a Madrid para uma visita de três dias, o Presidente defendeu que Portugal e Espanha têm a ganhar com uma relação cada vez mais próxima, sem lugar para “ciúmes”. Sobre o Brexit, assegurou que é “objetivamente uma vantagem”

Mariana Lima Cunha

em Madrid

Jornalista

Vão ser três dias intensos, de compromissos quase constantes, os da visita do presidente da República a Espanha. Mas mal chegou a Madrid, na noite deste domingo, Marcelo Rebelo de Sousa não perdeu tempo e fez as primeiras declarações para sublinhar a boa relação entre Portugal e Espanha. Um "processo imparável" que não dá espaço a "complexos de inferioridade" já "ultrapassados".

Questionado sobre a relação mais próxima entre Angola e Espanha, Marcelo negou que haja "ciúmes": "Do mesmo modo que sinto que o Reino de Espanha não sente ciúmes de Portugal, que está a ter relações empresariais com outros países que se têm multiplicado, Portugal não tem ciúmes da presença espanhola". E fez questão de dizer e repetir há uma convergência entre Portugal e Espanha que será cada vez mais proveitosa, declarando "uma nova fase no relacionamento" entre os dois países.

Os exemplos foram vários: do elo que existe graças às línguas nos dois países irmãos às relações empresariais, Marcelo falou de uma relação "muito mais ampla, ambiciosa, trabalhadora" e de uma política conjunta "mais exigente". O que significa também um "peso singular" na aliança entre os dois países, incluindo na União Europeia, onde se discutem assuntos em que Portugal e Espanha têm posições comuns como segurança, defesa, políticas de migração ou quadros económicos plurianuais.

Brexit é “vantagem”

Marcelo enfatizou a importância dessa ligação numa altura em que se discute o panorama estratégico mundial - citando a situação do Médio Oriente - mas também em que se discute o futuro da Europa, assegurando que "objectivamente o Brexit é uma vantagem para Portugal". Mas não há que isolar Portugal e Espanha: "Há posições comuns do estados do Sul da Europa, mas é redutor dizer que há uma Europa do Sul contra uma Europa central e do norte".

Sobre a Catalunha, por se tratar de uma questão interna espanhola, o presidente recusou falar. E usou uma analogia: "Eu tenho dois irmãos. Não me passa pela cabeça pronunciar-me sobre a vida dos meus dois irmãos". Também não houve tempo para comentar a situação política portuguesa, uma vez que, questionado sobre o Plano de Estabilidade, Marcelo recordou que não fala sobre questões nacionais em visitas a outros Estados.