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Política

António Costa comparado a Tony Blair

PATRICK SEEGER / EPA

Entrevistado pela Bloomberg, o primeiro-ministro português foi comparado com o ex-PM britânico e líder dos Trabalhistas, que defendia a “terceira via” para o socialismo

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

António Costa foi apontado pela Bloomberg como uma espécie de "líder de centro-esquerda clássico nos moldes do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair". A agência também considera que o PM português é o líder de um dos poucos partidos sociais-democratas que não ruíram na Europa.

Segundo a Bloomberg, a quem Costa concedeu uma entrevista durante a sua estada em Londres, esta semana, o PM português manifestou-se a favor das fronteiras abertas e do comércio livre e contra a intervenção do Estado na alienação das grandes empresas ("campeões nacionais").

"Os partidos sociais-democratas estão a colapsar na Europa, vítimas do nacionalismo crescente e do fracasso em produzir respostas convincentes à crise da zona euro", escreve a Bloomberg, para enquadrar Costa como um líder que sobe nas sondagens, apoiado pelo crescimento da economia, a baixa do desemprego e um "défice orçamental historicamente baixo".

Questionado pela razão pela qual não há até agora no país partidos populistas, António Costa justificou-o pelo facto de "ter sido possível encontrar soluções dentro do sistema", bem como pelo crescimento da economia e "uma comunidade imigrante relativamente bem integrada".

A agência traça um curto retrato do governo socialista, que chegou ao poder "dependente dos votos no parlamento de partidos de esquerda radicais" e que "cedo entrou em rota de colisão com outros governos da zona euro, revertendo os termos do resgate, aumentando o salário mínimo e os salários do sector público".

"Agora, Costa e o seu Governo tornaram-se ‘uma causa célebre da esquerda keynesiana europeia’, que vê o sucesso das políticas portuguesas como exemplo ganho da luta contra a austeridade", escreve a agência.

Todavia, quando perguntado sobre como garantiria que Portugal não seria vítima de um possível diminuição do crescimento na Europa, Costa disse que confiava no crescimento contínuo e nas reformas, destacando um novo orçamento de investimento da zona euro para ajudar a tornar mais competitivos os Estados-membros mais pobres.